Ser uma empresa multiplicadora de conhecimentos é um dos focos da Advanced Aquiculture Technology (AAT), empresa sediada em Paulo Afonso que produz alevinos e juvenis de tilápia. Por isso a companhia abriu suas portas nesta sexta-feira, 13/03, para receber os participantes do 1º Intercâmbio Tecnológico da Piscicultura da Bahia Pesca. Nesta entrevista, a gerente da AAT, Jéssica Brito, fala um pouco sobre a empresa e sobre a piscicultura baiana.
BP: Quanto é produzido nas dependências da fábrica?
JB: Produzimos 1.300.000 juvenis de tilápia por mês, com peso variando entre 20 e 40 gramas. Produzimos ainda 600 mil alevinos com peso entre 1 e 2 gramas. Para alcançarmos estes números, empregamos diretamente 55 funcionários, incluindo três engenheiros de pesca.
BP: Para onde vai esta produção?
JB: Atendemos clientes em toda a Bahia, além de Sergipe, Alagoas e Pernambuco. Nosso maior cliente é a Netuno, para quem vendemos até 400 mil alevinos por mês. Vale ressaltar também que doamos à Netuno toda a nossa mortandade, para a produção de farinha de peixe.
O restante da produção tem destinos bastante pulverizados, porque a AAT possui uma preocupação social com os pequenos produtores daqui da região. Para estas pessoas, às vezes é difícil ou muito caro comprar alevinos em outras cidades, devido aos custos de logística. Então reservamos a maior parte do que produzimos para atender estas pessoas, mantê-las em suas cidades de origem e para incentivar a cadeia piscicultora local. É justo dizer também que é uma forma de agradecimento aos piscicultores locais que trabalham conosco desde o início do projeto.
BP: Qual o diferencial da empresa?
JB: A AAT é a única empresa da Bahia que comercializa o juvenil de tilápia vacinado, livre de Streptococcus. Nos orgulhamos muito deste trabalho. Aqui nós trabalhamos todo o processo produtivo, desde a reprodução, coleta de ovos, incubação artificial, reversão sexual e engorda.
BP: Como a AAT vê o mercado de piscicultura hoje na Bahia?
JB: O mercado vive um crescimento rápido. Cada vez mais pessoas entram no segmento, inclusive profissionais liberais, como médicos e advogados, que veem na piscicultura uma forma de garantir uma renda extra. Nós estamos nos beneficiando muito neste momento. Há três anos, produzíamos 300 mil alevinos. Hoje mais que quadruplicamos este número, e continuamos nos expandindo para atender cada vez mais clientes. Importante ressaltar, entretanto, que ao mesmo tempo em que aumenta a demanda, aumenta também os níveis de exigência dos clientes, que querem alevinos cada vez mais saudáveis e com alto potencial nutritivo e de ganho de biomassa.
BP: Como a empresa avalia sua participação no 1º Intercâmbio Tecnológico da Piscicultura da Bahia Pesca?
JB: Importantíssimo. É de nosso interesse que cada vez mais pessoas conheçam nosso trabalho, e que possamos ajudá-las a montar suas próprias estações de piscicultura. A Advanced Aquiculture Technology acredita que a piscicultura brasileira ainda tem muito espaço para crescer, e queremos colaborar sendo um multiplicador do conhecimento que adquirimos ao longo dos anos.