Seminário do Programa Cisternas destaca avanços e desafios para a convivência com o Semiárido

14/08/2025
Seminário do Programa Cisternas

O Seminário do Programa Cisternas, realizado em Salvador nos dias 14 e 15 de agosto, reúne gestores, entidades e representantes da sociedade civil para discutir a implementação de tecnologias sociais de acesso à água no Semiárido. O evento, promovido pelo Governo da Bahia por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), reforça o compromisso com a segurança hídrica e alimentar na Bahia.  

Durante a abertura do seminário, a secretária da Seades, Fabya Reis, destacou que a meta é entregar 18.441 tecnologias de convivência com o Semiárido até fevereiro de 2025, com um investimento de R$ 154 milhões. "São 18 mil famílias esperando água, mas a demanda real supera 180 mil. Não podemos deixar ninguém para trás", afirmou. Fabya também enfatizou a necessidade de agilizar a execução do programa, lembrando que cada cisterna não construída representa uma família sem acesso à água.  

O evento contou com a presença de 27 entidades, além de representantes do Ministério do Desenvolvimento Social, do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, da Seades e do Programa Bahia Sem Fome.

O coordenador-geral do maior programa de Combate à Fome da Bahia, Tiago Pereira, ressaltou o caráter político e social do seminário. "Não estamos tratando apenas da implementação de tecnologias, mas de um projeto de sociedade. É fundamental reconhecer o protagonismo da sociedade civil e o compromisso do governador Jerônimo e do presidente Lula com a segurança alimentar e o direito à água", defendeu.  

O coordenador nacional da ASA, o professor Naidson Baptista, que acumula mais de 60 anos na luta por justiça social, emocionou os participantes ao falar sobre o legado do Programa Cisternas, que ele definiu como o maior programa de democratização da água da América Latina. "Hoje temos 1,3 milhão de cisternas construídas no Brasil, fruto da teimosia e da luta das comunidades. Cada pedreiro, cada mulher que cavou a terra fez parte disso", declarou. Ele lembrou que, quando a meta de 1 milhão de cisternas foi anunciada, muitos duvidaram, mas o resultado mostrou a força da mobilização popular.  

Naidson também reforçou a filosofia do programa, que vai além da construção de cisternas. "Não somos apenas construtores de tecnologias, somos educadores da convivência com o Semiárido. A cisterna é um instrumento, mas o que queremos é um Semiárido justo e digno, com sementes, quintais e vida", concluiu.  

Entre os objetivos do seminário que termina nesta sexta-feira (15) está alinhar estratégias entre as entidades executoras, discutir desafios na prestação de contas e planejar a integração ao Sistema de Gestão de Cisternas (SIG Cisternas). Fabya Reis destacou a importância da participação de prefeituras, conselhos territoriais e sociedade civil na seleção de beneficiários, garantindo transparência e eficácia ao programa.  

A mensagem é de união e persistência, como diz o professor Naidson Baptista, "é a teimosia que transforma sonhos em política pública".

Texto: Camila Fiúza
Fotos: Thassio Ramos

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