No seminário nacional “Como o Brasil saiu do Mapa da Fome?”, coordenador Tiago Pereira apresentou avanços do SISAN na Bahia e o fortalecimento de estratégias articuladas pelo Programa Bahia Sem Fome
A experiência da Bahia no enfrentamento à fome ocupou espaço de destaque no debate nacional sobre segurança alimentar e nutricional nesta quinta-feira (19), no Rio de Janeiro. Durante o seminário “Como o Brasil saiu do Mapa da Fome?”, realizado na Fundação Getulio Vargas (FGV), o coordenador-geral de Ações Estratégicas de Combate à Fome, Tiago Pereira, apresentou os avanços significativos da Bahia na consolidação do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) e destacou a atuação articulada do Programa Bahia Sem Fome nesse processo.
Tiago integrou a Mesa Eixo 1 – Governança, realizada entre 11h e 13h30, ao lado de nomes ligados à formulação e à execução de políticas públicas de combate à fome no país. Participaram do encontro Renato Maluf, da UFRRJ; Elisabetta Recine, do Consea; Luiza Trabuco, da Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS; e Lia Gondim, primeira-dama e coordenadora do Programa Ceará Sem Fome. A mediação foi de Juliana Casemiro, da Uerj. 
Na apresentação, o coordenador mostrou que o fortalecimento do SISAN na Bahia é resultado de uma construção institucional acumulada ao longo de mais de duas décadas. O percurso apresentado inclui a criação do Consea-BA, em 2003, a realização de conferências estaduais de segurança alimentar, a criação do GGSAN/CAISAN, a promulgação da Lei Estadual nº 11.046/2008, que criou o SISAN na Bahia, a primeira adesão de 200 municípios ao sistema e a elaboração dos planos estaduais intersetoriais. 
Os dados levados ao seminário mostram a dimensão desse avanço. De acordo com a apresentação, a Bahia saiu de 10 para 200 adesões municipais, o que representa 48% de cobertura do sistema em todo o estado. O material associa esse crescimento à retomada do GGSAN, à construção do III PLANSAN 2024–2030 e à atuação do Programa Bahia Sem Fome. 
“Ampliar a adesão dos municípios ao SISAN significa fortalecer a política pública de segurança alimentar e nutricional nos territórios, com mais capacidade de planejamento, articulação e resposta às necessidades da população. Esse avanço é parte de um esforço estruturante para tirar a fome do mapa da Bahia”, afirma o coordenador.
A exposição também resgata referências históricas da política de combate à fome no Brasil, com destaque para Herbert José de Souza, o Betinho, apontado no material como precursor do SISAN e fundador da Ação da Cidadania. A apresentação relembra sua atuação na mobilização social contra a fome, sua participação na criação do Consea, em 1993, e a defesa da segurança alimentar como parte do direito humano à alimentação adequada. 
Além dos resultados, foram apresentados os desafios e prioridades da Bahia para os próximos anos. Entre as metas e estratégias destacadas, estão a redução da pobreza no território baiano, a ampliação dos meios de produção e do acesso à alimentação saudável no campo e na cidade, o fortalecimento do sistema de segurança alimentar e nutricional, o incentivo a estudos e ações transversais e a coordenação da rede de equipamentos integrados para o combate à fome. A diretriz expressa no material sintetiza esse esforço: tirar a fome do mapa da Bahia. 
“O combate à fome precisa combinar medidas emergenciais com ações estruturantes, capazes de ampliar o acesso à alimentação adequada, fortalecer redes de proteção social e consolidar uma política pública duradoura. É essa perspectiva que orienta o trabalho desenvolvido pela Bahia”, conclui Tiago Pereira.
Realizado nos dias 19 e 20 de março, das 8h às 18h, no Auditório Engenheiro M. F. Thompson Motta, no 12º andar da FGV, o seminário reúne representantes do governo federal, universidades, organismos internacionais e programas estaduais para discutir experiências, políticas e caminhos que contribuíram para a saída do Brasil do Mapa da Fome. A programação contempla debates sobre governança, produção e acesso à alimentação saudável, geração de renda, combate à pobreza, saúde, assistência social e proteção social. 
Repórter: Camila Fiúza
Fotos: Thassio Ramos