A Ferrovia de Integração e o novo ciclo de desenvolvimento

26/03/2010

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL A TARDE - COLUNA OPINIÃO 

A Ferrovia de Integração e o novo ciclo de desenvolvimento 

É com enorme satisfação que hoje recebemos na Bahia o presidente Lula para lançar o edital de licitação para as obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, a qual integra os investimentos previstos no PAC com o objetivo de transformar a matriz brasileira de transporte, elevando o percentual de participação do modal ferroviário. A Ferrovia Oeste-Leste – projeto idealizado por Vasco Neto ainda nos anos 50 - pode ser definida como a implantação de um eixo logístico ferroviário especializado na movimentação de produtos agroindustriais e de minérios, promovendo escoamento do agronegócio e da indústria extrativa, consolidando e expandindo os mercados produtores que vêm se estruturando na região. Este projeto jazia empoeirado, posto que os governos anteriores fixavamse à lógica do mero crescimento econômico com concentração de renda. Noutra perspectiva, o governador Jaques Wagner retoma o sonho do professor Vasco Neto com o ímpeto dos desbravadores e, com agilidade e rapidez, conseguiu, juntamente com o presidente Lula, incluir as obras da ferrovia no Plano Nacional de Viação e no PAC. 

Na atual matriz nacional de transporte, de cada dez toneladas transportadas, seis rodam por caminhão. Num país de dimensões continentais como o Brasil, a preferência pela via rodoviária não é a melhor opção: enquanto um caminhão transporta, em média, 35 toneladas, apenas um vagão pode transportar 130 toneladas; além disso, o transporte ferroviário apresenta, para distâncias superiores a 600 km, custo de frete 50% inferior ao transporte rodoviário. Essa preferência foi uma decisão deliberada de governos federais, especialmente a partir da década de 50, para, numa conjuntura histórica de fomento à industrialização incipiente, consolidar o mercado consumidor interno como motor do desenvolvimento. Atualmente, a rede de infraestrutura de transportes tem dificuldades de atender às novas demandas da economia nacional. A malha rodoviária não está suportando a taxa de crescimento da oferta agrícola brasileira. É inevitável e urgente a implementação de projetos de envergadura regional e nacional oferecendo alternativas de escoamento da produção com custos menores. Para isso, os investimentos do PAC chegarão à cifra de R$ 54 bilhões na mudança da matriz nacional de transporte. 

Com investimento de R$ 6 bilhões e extensão de aproximadamente 1.500 km, a Ferrovia de Integração Oeste–Leste, e sua conexão com a malha ferroviária nacional, viabilizará o aumento da competitividade de produtos do agronegócio via redução dos custos de transporte e a implantação de novos pólos agroindustriais e de exploração de minérios. Além disso, seu entorno verá florescer toda uma economia de serviços que com o tempo se tornará locomotiva do desenvolvimento tanto quanto a própria ferrovia. Ao promover o ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL A TARDE - COLUNA OPINIÃO escoamento das cargas hoje já existentes no Centro-Oeste brasileiro (soja e milho) e no Oeste baiano (soja, algodão, café e milho), além de criar as condições para a atração de novos investimentos, a Ferrovia Oeste-Leste amplia a integração da Bahia com a economia nacional. Sinergias serão criadas com o aproveitando das vantagens comparativas da intermodalidade, ao se fazer a complementação e ligação entre os modais rodoviário (BR-242), hidroviário (Hidrovia Ibotirama-Juazeiro) e o Porto Sul num futuro próximo. Somam-se a isso os esforços do governador Jaques Wagner para incluir as obras de duplicação da BR-415 no PAC II, que ampliarão ainda mais essas interações logísticas/produtivas. 

Celso Furtado e Caio Prado Junior nos ensinaram que um sistema de transporte pouco integrado é um dos principais sintomas de uma economia organizada “para fora,” comandada por interesses exógenos, subdesenvolvida. O governador Jaques Wagner e o presidente Lula estão empenhados, desde o início, na sua construção porque sabem que a Ferrovia de Integração Oeste-Leste será mais uma locomotiva a puxar o novo ciclo de desenvolvimento da Bahia, do Nordeste e do Brasil, gerando emprego e renda, desconcentrando os investimentos e fazendo a economia funcionar para a melhoria da vida da nossa população.