Porto e Ferrovia, conexão para a nova Bahia

30/08/2011

Eva Maria Chiavon – Secretária da Casa Civil do Governo da Bahia

A Bahia vive um momento singular na construção das bases para o seu processo de desenvolvimento, que se aprofunda neste segundo mandato do Governo Jaques Wagner. Está em andamento uma matriz integrada de projetos e obras de caráter estruturante. Estes alicerçam o caminho para que o Estado mantenha-se, a médio e longo prazos, na rota de um ciclo virtuoso de prosperidade econômica e social, abrindo uma janela de oportunidades para novos investimentos.

Dentre o elenco de projetos, destacamos a Ferrovia da Integração Oeste-Leste (FIOL) e o Porto Sul, que se inserem numa estratégia de integrar e desconcentrar o desenvolvimento em todo o Estado.

A Bahia e as regiões em seu entorno vêm ampliando a participação no comércio internacional como importantes fornecedores de mercadorias agrícolas, produtos minerais e manufaturados, algo que impõe sistemas eficientes de logística de transporte para reduzir os custos de movimentação e escoamento das mercadorias em direção aos portos de exportação.

Com investimentos de cerca de R$ 2,4 bilhões, o Porto Sul terá uma forte interconexão com a FIOL e dotará o Estado de um importante eixo de logística de transportes, desenvolvendo as cadeias produtivas na sua área de influência, gerando emprego e renda.

A escolha da localização do Porto foi orientada por cuidadosos estudos de viabilidade. A região Sul abriga o terceiro maior polo urbano do Estado e vem enfrentando graves problemas econômicos e sociais, decorrentes da crise do cacau. Possui uma configuração sócio-territorial marcada pela presença do eixo Ilhéus-Itabuna, que sempre exerceu uma função de suporte à organização das atividades portuárias na região.

Os impactos inerentes à implantação e operação do projeto foram identificados, através de estudos criteriosos, para a adoção de tecnologias modernas na mitigação dos seus efeitos. Estes envolvem um conjunto de medidas de controle e gerenciamento ambiental em toda área de influência do projeto, incluindo o ecossistema marinho, além de sistemas de captação e tratamentos de emissões hídricas e outros resíduos.

O Governo da Bahia, sensível às questões ambientais, elaborou um novo diagnóstico que demonstrou que a área de Aritaguá é menos vulnerável aos impactos do projeto. Trata-se de uma região cujo ecossistema já sofreu alterações em função da existência de atividades agropecuárias. Esta é menos suscetível aos efeitos do empreendimento no bioma da Mata Atlântica, abrangendo fauna e flora. Cabe destacar que a antiga localização, na Ponta da Tulha, será transformada em zona de conservação pela importância do seu ecossistema como ativo ambiental, numa região que vem se consolidando como uma importante área de expansão turística, atividade compatível com presença do porto.

Quanto aos impactos socioeconômicos, junto às comunidades diretamente afetadas e no entorno do projeto, estamos mantendo um permanente canal de diálogo, de forma democrática e participativa, para assegurar a justa indenização, políticas adequadas de reassentamento e melhoria das condições de vida das populações, integrando-as às novas oportunidades de trabalho e renda associadas ao porto.

Os benefícios econômicos para a Bahia serão enormes, induzindo a novos investimentos na produção agroindustrial e mineral, além de fortalecer a posição do Estado como escoadouro natural da produção econômica da região Centro-Oeste, por reduzir o percurso hoje realizado em direção aos portos de exportação em mais de 300 km.  Neste aspecto sobressaem os efeitos do projeto na redução das disparidades regionais, visto que 80% das cargas destinadas ao mercado exterior são hoje escoadas através de portos localizados no Sul do País.

O Porto e a Ferrovia fortalecerão os laços de integração regional da Bahia, favorecendo o chamado eixo interoceânico de articulação logística que interliga o Pacífico ao Atlântico, projeto concebido através da ação visionária do saudoso engenheiro Vasco Neto. A Bahia, o Nordeste e o Brasil precisam ampliar a participação no mundo globalizado. A oportunidade está posta!

Publicado no jornal A Tarde (21/10/2011)