MINISTÉRIO DA JUSTIÇA
Governo do Estado prestigia projeto do Ministério da Justiça
O Governo do Estado participou nesta quarta-feira, 29, da abertura da 54ª sessão de julgamento da Caravana da Anistia na Cidade do Saber, em Camaçari. A Caravana, que pela segunda vez vem à Bahia, é um projeto da Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, que percorre todo o país para analisar e reparar os crimes cometidos pelo Estado Brasileiro durante o regime militar. Desta vez, estão sendo julgados 120 processos de ex-operários, do Polo Petroquímico do município, que paralisaram as atividades durante a greve de 1985. O secretário estadual da Casa Civil, Rui Costa, representou o governador Jaques Wagner, em viagem à Brasília, na cerimônia.
O secretário Costa parabenizou a iniciativa do Ministério da Justiça em julgar os casos nos estados onde os episódios da ditadura ocorreram. “A vinda da Caravana representa o reconhecimento da luta de todos aqueles que se posicionaram contra a ditadura. Os petroquímicos, assim como os metalúrgicos do ABC, são parte da história do Brasil. Os trabalhadores petroquímicos atuaram na redemocratização do país”, falou.

Ao discursar no evento, o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão Pires Júnior, agradeceu ao Estado da Bahia pela recepção e ressaltou o papel do projeto, Caravana da Anistia, para o Brasil. “Vivemos um momento único, porque estamos vendo sonhos implementados. Hoje, o dever do Estado Brasileiro de promover a compensação sob os reflexos da ditadura militar se realiza. A Caravana vem reafirmar o direito a reparação moral e econômica desses cidadãos. Vir à Bahia representa o peso deste movimento operário para o Brasil”, afirmou. O presidente comentou ainda sobre o papel da classe na busca pela democracia. De acordo com Paulo Abrão, foi a partir da união entre o movimento operário e os movimentos sociais que o processo de redemocratização do Brasil foi acelerado.
Também representando a solidariedade prestada pelo Governo da Bahia aos cidadãos que resistiram ao regime de 1964, o secretário do Planejamento Zezéu Ribeiro, prestigiou o evento. “O trabalho da Comissão é uma reparação social. A cidadania desses trabalhadores será recuperada hoje. Este é um momento histórico, é um resgate efetivo da democracia brasileira”, comentou o secretário.
Para os ex-operários do Polo, a esperada sessão serve de resposta à história do Brasil. A cada discurso, os autores dos pedidos de anistia se emocionavam e recordavam dos momentos enfrentados durante a paralisação de 1985.
A Comissão de Anistia defende que os julgamentos feitos por todo o país servem para construir uma história de liberdade e de resposta aos erros cometidos no passado. O presidente da Comissão ressaltou ainda a importância da implantação da Comissão da Verdade, no Congresso Nacional, onde “a ditadura militar será passada a limpo”.
O prefeito de Camaçari, Luiz Carlos Caetano, e a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, além de outras autoridades, também participaram da cerimônia.