A Bahia é um dos estados com menor número de vítimas fatais decorrentes de acidentes de trânsito. Segundo o coordenador-geral de Projetos Especiais do Ministério dos Transportes, Waldemar Fini, a redução do índice se deve à conscientização e educação dos motoristas. Ele veio a Salvador conferir de perto a atuação do Detran/BA no Carnaval.
O coordenador ressaltou o resultado satisfatório do trabalho educacional. Nos dois primeiros dias da festa aconteceram 56 acidentes – no mesmo período do ano passado foram 150. “Isto é reflexo do trabalho educacional”, comentou Fini, que informou que o número de acidentes de trânsito no Brasil tem se mantido constante, apesar do aumento anual de 4% da frota de veículos.
O Detran está realizando campanhas de conscientização para que os motoristas evitem o uso de bebidas alcoólicas, além de um trabalho educacional com crianças. O Detran é parceiro do ministério em diversas ações educacionais dentro do Programa de Redução de Acidentes de Trânsito (Pare).
No Carnaval, para evitar o uso de bebidas alcoólicas por parte dos motoristas, o órgão está desenvolvendo o projeto Neste Carnaval, Mistura Só de Ritmos. A iniciativa é realizada por equipes volantes distribuídas em sete pontos estratégicos dos circuitos da festa.
“A Bahia é parceira do Ministério dos Transportes há três anos. O estado é um pólo gerador de boas idéias e campanhas que absorvemos para levar para outros estados”, disse Fini.
Ele citou como fundamental o trabalho pedagógico que o Detran está desenvolvendo no Passeio Público, no Campo Grande. Ali, as crianças participam de brincadeiras e palestras e assistem a vídeos educativos.
Com a ajuda do personagem Semaforinho, as crianças aprendem como atravessar a rua e a ser um pedestre prudente.
“Queremos aproveitar a presença das crianças para desde já fornecer a elas as noções de responsabilidade na condução de um veículo. Até para que fiscalizem seus pais. É importante também ensiná-las como ser pedestres conscientes”, disse o diretor-geral do Detran, major Brandão.
A Bahia vem mostrando também uma redução nos índices gerais. Em 2004, aconteceram 11.752 acidentes com 1.178 mortes. Dados preliminares do ano passado mostram 10.480 acidentes com 926 vítimas fatais. O grande desafio dos Detrans de todo o país é conscientizar os jovens.
Pesquisa
Preocupado com o Carnaval, o Pare encomendou à Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia uma pesquisa sobre os hábitos dos jovens universitários com idade entre 18 e 30 anos. Os resultados mostram que 64% deles dirigem depois de beber e 80% dos que não dirigem depois de beber pegam carona com um amigo que consumiu bebida alcoólica.
“São números preocupantes e indicam que precisamos reforçar as ações e a intensidade das campanhas a nível nacional, principalmente em períodos de festa como o Carnaval”, afirmou Fini.
De acordo com ele, o motorista brasileiro com idade entre 18 e 40 anos é altamente confiante e seguro de sua forma de dirigir. “Por isso é que nessa faixa etária ocorre o maior número de vítimas do trânsito”, explicou.
Outro levantamento da Associação Brasileira dos Detrans nos hospitais de emergência de quatro capitais brasileiras (Brasília, Recife, Salvador e Curitiba) indicou que 61% das vítimas de acidentes de trânsito apresentavam algum teor alcoólico no sangue.
Os efeitos do álcool no sangue são variados: os reflexos e a coordenação motora ficam mais lentos, a visão e o senso de responsabilidade são comprometidos – o que é mais grave nos jovens – e a autoconfiança aumenta.