Ações estaduais que incentivem a produção de biodiesel terão apoio da Petrobras

16/09/2007

Com previsão de produzir anualmente na Bahia até 57 mil metros cúbicos de biodiesel, a Petrobras quer apoiar as ações estaduais de estímulo ao cultivo de oleaginosas no semi-árido, através da agricultura familiar. A empresa assegura a aquisição da produção de mamona, amendoim, algodão, dendê e girassol, principais matérias-primas do óleo. Só para atender à demanda da companhia, pelo menos 25 mil famílias de pequenos produtores devem ser beneficiadas.


Os planos da Petrobras para o setor foram apresentados hoje (19) ao governador Jaques Wagner pelo gerente executivo de Desenvolvimento Energético da empresa, Mozart de Queiroz, responsável pelo programa de biodiesel da companhia. Ele foi recebido por Wagner na Governadoria.


O projeto da Petrobras visa atender, a partir do ano que vem, ao mercado da própria empresa - no caso, a BR-Distribuidora. Conforme previsto pelo Programa Brasileiro de Biodiesel, em 2008, passa a ser obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao óleo mineral.


Na Bahia, a unidade de biodisel da Petrobras está sendo implantada em Candeias, com previsão de entrar em operação em dezembro. Outras duas unidades também estão sendo instaladas em Quixadá, no Ceará, e em Montes Claros, em Minas Gerais, beneficiando também o semi-árido naqueles estados. Só na unidade baiana, o investimento é de R$ 78 milhões.


“Além do aspecto da dinamização econômica do semi-árido, é um programa que tem também toda a importância social por estarmos procurando desenvolver as ações através da agricultura familiar”, ressaltou Queiroz. Na unidade, especificamente, serão apenas 35 empregos diretos.


Wagner antecipou para Queiroz algumas ações do Estado na área que começarão a ser implantadas pela Secretaria da Agricultura já nos próximos meses. “Percebemos que, até mesmo pela questão social, o governo estadual mostra-se bastante empenhado em desenvolver ações de estímulo e apoio técnico aos pequenos produtores”, disse Queiroz.


No caso da Petrobras, um convênio já está em estudo pela equipes técnicas estadual e federal, conforme adiantou Queiroz. “O governo estadual vai anunciar as medidas assim que todos os detalhes estiverem fechados”, disse o executivo aos jornalistas, logo após a audiência com o governador.


A Bahia é um estado que tem despertado a atenção do setor do biodiesel pelas potencialidades naturais de produção de oleaginosas, antes mesmo do estímulo ao cultivo previsto pelo Programa Brasileiro de Biodiesel. O estado é hoje o maior produtor do país de mamona (cerca de 150 mil toneladas/ano) e o segundo maior produtor de amendoim (8 mil toneladas/ano, ficando atrás apenas de São Paulo) e de dendê (24 mil toneladas/ano, perdendo apenas para o Pará).


“Só com a demanda do biodiesel da Petrobras, a previsão é de a produção de amendoim baiana triplique”, afirmou Queiroz. Quanto ao dendê, a estimativa é de que o estado passe a produzir 8 mil toneladas a mais.