Acordo vai impulsionar Tecnologia da Informação

16/09/2007

As instituições parceiras do Arranjo Produtivo Local (APL) de Tecnologia da Informação (TI) assinaram, ontem (18), na Secretaria da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), um acordo de repactuação para o setor. No documento, os parceiros se comprometem a executar e acompanhar as ações previstas para o desenvolvimento do APL nos próximos dois anos. Dentre estas ações, está a elevação do faturamento das empresas, a promoção de capacitação tecnológica, o acesso a mercados e apoio à inovação.


De acordo o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), Ildes Ferreira, a inovação tecnológica deve ser um dos principais vetores de desenvolvimento sustentável da Bahia. “Por isso fornecer apoio para a promoção do APL de tecnologia da informação é fundamental”. Ele disse que o governo possui vontade política e disposição para esta finalidade, mas as parcerias com a sociedade civil organizada, redes empresariais e instituições de apoio são imprescindíveis para que as ações previstas sejam implementadas e que o arranjo seja fortalecido.


Outra ação do governo destacada pelo secretário é a implantação do Parque Tecnológico de Salvador (TecnoVia), que será um ambiente que abrigará prioritariamente empresas das áreas de TI, biotecnologia e energia, além de incubadoras, centros de pesquisa e desenvolvimento, laboratórios de núcleos de pesquisa, e áreas compartilhadas para a interação entre universidades e empresas.


A Secti, em parceria com o Sebrae/Ba, a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) coordena o Programa de Apoio aos Arranjos Produtivos Locais, que já está atuando em 10 APLs na Bahia, dentre eles o de TI. O programa conta com recursos de US$ 16 milhões e tem o objetivo de articular parcerias empresariais e institucionais para a difusão de práticas competitivas e sustentáveis, com foco na promoção da competitividade e sustentabilidade empresarial.


O APL de TI da Bahia atualmente é constituído por cerca de 130 empresas situadas na Região Metropolitana de Salvador e Feira de Santana. Uma destas empresas é a ZCR Informática, especializada em desenvolver sistemas e prestar serviços em TI. De acordo com o diretor da empresa, Rubens Delgado, “o APL faz com que as empresas passem a interagir entre si, não só para gerar negócios como para captar recursos e evoluir no processo de gestão. Vencedora do Prêmio Finep em 2005, como a empresa mais inovadora do Brasil em sua categoria, a ZCR também foi a primeira empresa da Bahia a ser beneficiada com o programa Juro Zero, que financia ações de inovação tecnológica.


Delgado acredita que as empresas não costumam submeter propostas para este tipo de iniciativa muitas vezes por desconhecimento. “Por isso, no meu entendimento, tanto as associações quanto o governo têm que dar estímulos para que essa captação aconteça junto às instituições de apoio”, declarou o empresário.


O presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet – Bahia (Assespro-Ba), Paulo Monteiro, explica que fez um levantamento junto às empresas da área e identificou que um dos principais entraves para o crescimento do setor de TI na Bahia é a falta de mão de obra qualificada. “Antes, não contávamos com o apoio do governo, o que não é mais o caso, porém as empresas estão crescendo e sentem a necessidade de profissionais com melhor capacitação”, declarou. Por isso, a questão da qualificação aparece em diversas ações previstas no documento de repactuação.


O setor de TI é identificado como prioritário, por conta de suas empresas poderem atuar para resolver gargalos de empresários de qualquer segmento da economia. De acordo com o superintendente do Instituto Euvaldo Lodi Regional Bahia (IEL-BA), Armando Neto, o governo federal vem priorizando a área de TI na sua Política Industrial Tecnológica e de Comércio Exterior. “A Bahia não pode ficar de fora disto e precisa criar sua vertente de políticas públicas na área, apoiando este setor,que é muito importante para nossa economia”, disse. Neto acredita que a assinatura do acordo foi um importante passo para a manutenção e crescimento da rede de apoio, acrescentando que a mobilização em torno deste APL depende muito do apoio das instituições envolvidas.


Sucesso na Europa


Os APLs reúnem empresas, principalmente micro e pequenas, voltadas para uma mesma atividade produtiva, com vínculos de articulação e cooperação. A metodologia de trabalhar com o setor empresarial a partir de APLs já vem sendo aplicada há vários anos na Europa. “O APL é um método de construção coletiva que tem sido exemplar em países como Itália, França e Espanha. No Brasil, isso é mais recente e acontece há cerca de cinco anos, porém de forma muito interessante”, explica o diretor-superintendente do Sebrae Bahia, Edival Passos. Ele disse que o Sebrae vem atuando junto a diversos destes arranjos e que, no Brasil, já existem quase mil APLs em desenvolvimento, em diversas atividades e com bons resultados.