Agricultores cooperados entregam pauta de reivindicações ao Estado

20/09/2007

O agricultor Gil Santos, 21 anos, de Cruz das Almas, seus pais e seis irmãos sobrevivem com uma renda mensal de R$ 400. O dinheiro é fruto da venda de mandioca, aipim e inhame que são plantados em seu terreno de 10 hectares. “A gente poderia ter um lucro maior com nosso trabalho, mas pra vender nossa produção dependemos dos atravessadores, que compram barato na nossa mão e vendem bem mais caro lá na frente”, reclamou.

Este é só um dos problemas discutidos pelos representantes de 100 cooperativas de agricultores que se reuniram ontem e hoje (20), na Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem), durante o VI Encontro Estadual das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária. Além de discutir formas de expandir o cooperativismo e consolidar o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar no estado, os trabalhadores entregaram ao governo da Bahia uma pauta de reivindicações.

O presidente da União Nacional de Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária, José Paulo Crisóstomo, lembrou que a atividade é responsável por 10% do PIB nacional e por 40% do PIB agropecuário. “Mas, mesmo assim, sempre fomos maltratados e sem apoio. Depositamos uma esperança grande de que a Bahia está vivendo um novo momento e de que receberemos do governo Wagner o mesmo tratamento que estamos recebendo do governo Lula”, disse.



Demandas



José Paulo afirmou que uma das principais reivindicações é a qualificação de dirigentes e trabalhadores, o que vai garantir a sustentabilidade do processo cooperativo. “Não queremos que seja como no passado, que criávamos as cooperativas e não conseguíamos levar adiante, por falta de conhecimento”, destacou.

Outras demandas são a criação do Conselho Estadual do Cooperativismo, a criação de uma lei geral para a atividade e a solução para a comercialização dos produtos. “Achamos que esses são alguns dos aspectos que vão gerar o desenvolvimento da Bahia”, observou.

Para o secretário da Agricultura, Geraldo Simões, o cooperativismo é um modelo vitorioso das relações da humanidade e a organização da produção. “Por isso recebemos bem essas solicitações. Eles estão no caminho certo”, explicou. E afirmou que é objetivo do governo melhorar as condições de produção e comercialização da agricultura familiar, a assistência técnica, a produtividade, o material genético e a renda dos trabalhadores.



Tecnologia



“Quem tem 10 hectares para produzir não pode mais explorar sua terra de forma primitiva. Tem que ter equipamentos e a cooperativa é a melhor forma de suprir essa necessidade”, ressaltou o secretário. Ele disse que é muito mais fácil se comprar um trator ou se construir uma casa de farinha moderna quando há uma associação do que individualmente.

O governador Jaques Wagner lembrou que a agricultura familiar é responsável por 60% do alimento que chega à mesa dos brasileiros e uma forma de garantir a renda familiar, proporcionando cidadania à população. “Por isso o financiamento para a agricultura familiar pulou, no governo Lula, de R$ 2 bilhões, em 2003, para mais de R$ 10 bilhões, a maior parte deles no Nordeste”, contabilizou.

Sobre o cooperativismo, Wagner declarou que, associando-se, os produtores ganham força, produzem melhor e têm maior aproveitamento. “Vamos dar mais condições de apoio à extensão rural, ao financiamento e à comercialização”, afirmou.



Ebal



No encontro, o presidente da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), Reub Celestino, garantiu o compromisso com a Seagri de se engajar no projeto de comercialização dos produtos orgânicos e laticínios oriundos dos pequenos produtores, seja pelo Ceasa ou pela Cesta do Povo. “A Ebal vai encurtar o caminho para que a produção da agricultura familiar chegue até o consumidor final”, disse.