O estudante do 3º ano do Colégio da Polícia Militar dos Dendezeiros, Felipe Ramaccioti, 16 anos, foi um dos 25 brasileiros escolhidos para integrar a Seleção Brasileira de Robótica na RoboCup Júnior Internacional, em Atlanta, nos Estados Unidos. Ao todo, a seleção conta com 25 integrantes, sendo 21 estudantes universitários e quatro estudantes do ensino médio.
Ano passado, a equipe que Felipe integrou, durante a RoboCup Júnior Brasil, em Campo Grande, ficou com o primeiro lugar no torneio do XXVI Congresso da Sociedade Brasileira de Computação. Satisfeito com o reconhecimento, ele já entrou em contagem regressiva para representar o Brasil lá fora. O evento ocorre de 1º a 8 de julho.
Ainda menino, enquanto os amigos se divertiam brincando com carrinhos, o que ele gostava era de desmontá-los e abria o sorriso ao vencer o desafio de colocar todas as peças no lugar. Os pais também não podiam vacilar com eletrodomésticos velhos que o garoto os abria tentando desvendar os mecanismos que faziam aqueles equipamentos funcionarem.
Na adolescência, viu a possibilidade de tornar o sonho em realidade. Na oficina de Ciência, Arte e Magia, ofertada pela Ufba, aprendeu a teoria e com o ingresso para a equipe do CIC Robotics, a única formada por estudantes secundaristas na Sociedade Brasileira de Automação (SBA), passou a colocar as idéias em prática.
No clube de robótica ele constrói robôs com material da Lego e busca desvendar o que impede uma peça de funcionar. “No clube, nosso objetivo é aperfeiçoar a técnica, encontrando soluções para problemas e construindo novas máquinas”, diz.
Engajado, ele diz que uma das grandes satisfações é poder usar o conhecimento e idéias em projetos que visem facilitar a vida das pessoas. Embora não queira anunciar exatamente do que se trata, diz que já está em andamento um trabalho para solucionar problemas na área da saúde. A desenvoltura do filho e o reconhecimento que tem tido na área enche os pais de orgulho. Mesmo sem condições de bancar a viagem internacional, não pensaram duas vezes e já mobilizaram toda a família e amigos em uma grande rifa para angariar recursos para a viagem.
A diretora do CPM, Marize Matheus de Sarmento, também ficou empolgada com os resultados e já está se mobilizando para que a escola possa oferecer para os alunos um clube de robótica nas suas dependências. “É gratificante para nós ver um aluno daqui ir representar o país lá fora”, considera. Às vésperas de enfrentar o vestibular, Ramaccioti não tem dúvidas da escolha que fez: engenharia mecatrônica.
“Mecatrônica não é só criar máquinas, envolve um pouco de cada área, entra a biologia, química, física, medicina, biomedicina, entre outros. Diante da situação que vivemos, meu grande desafio será criar soluções para os problemas na área da saúde”, diz o pequeno cientista, que tem tudo para fazer o nome do país brilhar lá fora.