Os fragmentos de Mata Atlântica no Nordeste brasileiro são os mais ameaçados de extinção pelo aquecimento global. O alerta é do pesquisador e presidente do Grupo de Assessoria Internacional (IAG), do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), Carlos Nobre, durante encontro promovido Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado (Semarh), em parceria com o Projeto Corredores Ecológicos, hoje (28), no auditório do TRE.
No encontro foram discutidos os cenários e as perspectivas da Mata Atlântica na Bahia, compondo a faixa de áreas remanescentes, entre os estados do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Carlos Nobre, coordenador do grupo de cientistas brasileiros que compõe o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), apresentou o relatório do PPG7, realizado em agosto de 2006 pelo IAG, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.
Nobre destacou alguns objetivos do relatório e analisou as iniciativas públicas e não-governamentais, que contribuem para a recuperação de áreas degradadas. O pesquisador defendeu o fortalecimento das estratégias de conservação da Mata Atlântica, com foco nos corredores ecológicos e nas unidades de conservação.
Segundo o diretor de Biodiversidade da Semarh, Milson Batista, o evento propôs a discussão da importância do bioma Mata Atlântica, que possui características peculiares e recordes mundiais de biodiversidade, quanto à variedade de plantas e espécies de anfíbios. “A Mata Atlântica ocupava 36% do território baiano, hoje restam menos de 6% de sua cobertura original”, destacou Batista.
No mês de fevereiro, o IPCC apresentou relatório parcial, em Paris (FR), revelando que o planeta tende a ficar cada vez mais aquecido. Segundo Carlos Nobre, um possível aumento de dois graus centígrados na temperatura vai ameaçar 30% de todas as espécies de biomas brasileiros, como a Mata Atlântica, o Cerrado e a Caatinga.