A última avaliação externa de desempenho promovida pela Secretaria Estadual da Educação (SEC) revelou que 99,7% dos alunos da 8ª série do ensino fundamental têm aprendizagem considerada insuficiente ou baixa em Matemática e índices semelhantes em Português. O mau desempenho se repetiu em 97% dos alunos do 3º ano do ensino médio. Ao todo, foram avaliados 227 mil alunos, de 2.808 escolas públicas em 304 municípios baianos, ao final de 2004. Para começar a reverter este quadro, uma das medidas do secretário da Educação Adeum Sauer será reforçar a avaliação processual no dia-a-dia das escolas da rede.
“Não podemos esperar que se passe o ano todo para perceber onde é preciso fazer correções para que o aluno aprenda. Vamos reforçar a avaliação continuada nas escolas, de forma que sirva como um mecanismo para intervenções processuais ao longo do ano”, afirmou o secretário, que tratou do assunto em entrevista à TV Educativa da Bahia. Sauer ressaltou que também fará investimentos na formação continuada dos professores, que são os responsáveis mais próximos dos alunos na avaliação e no ensino.
De acordo com o calendário letivo atual, a avaliação do aluno nas escolas da rede estadual é realizada quatro vezes por ano, sempre ao final de cada bimestre, com período de recuperação quando termina o ano letivo. Em geral, os resultados bimestrais não são analisados e nem sistematizados pela equipe escolar de forma a descobrir pontos falhos no ensino e permitir mudanças capazes de reverter o mau desempenho dos estudantes. O resultado é que o aluno com dificuldades no início do ano fatalmente vai continuar assim.
O último censo revelou que dentre os matriculados na rede estadual em 2006, 16% são repetentes no ensino fundamental e 9,5% repetem no ensino médio. Para efeito de comparação, na rede particular esses mesmos dados não ultrapassam 1,4% e 1,8%, respectivamente. “A avaliação continuada deve contribuir para que a escola ajude o aluno ao longo do ano. Seguidas reprovações prejudicam a auto-estima, além deste aluno ocupar a vaga que poderia ser de outro. Reprovação não é sinônimo de qualidade do ensino, da mesma forma que aprovação automática não é”, avaliou o secretário Adeum Sauer.
Sauer lembrou que, ao lado do desafio da qualidade, há ainda a necessidade de ampliar o acesso, aumentando o número de vagas. Em todo o estado, somente 27% dos baianos em idade regular para cursar o ensino médio (15 a 17 anos) estão devidamente matriculados. A meta do governo para os próximos quatro anos é alcançar, pelo menos, 40% dessa população. No ensino fundamental, apesar da atual abrangência de 97%, há ainda 110 mil alunos fora da escola.