Em 2006, foram criados 25.089 novos postos de trabalho com carteira assinada na Bahia. O crescimento de apenas 2,29% em relação a 2005 é o pior dentre todos os estados nordestinos e o terceiro pior do país. A taxa, divulgada localmente pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria de Planejamento (Seplan), a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, também está abaixo do crescimento gerado em 2005 no estado (63.952 empregos com carteira, correspondentes a um crescimento de 6,29%).
“A contração do emprego formal na Bahia guarda relação direta com o arrefecimento do crescimento econômico no estado experimentado em 2006. De fato, a economia baiana não conseguiu repetir o desempenho dos anos anteriores –as taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foram de 9,6%, em 2004, e de 5,0%, em 2005, enquantoa taxa estimada para 2006 é de 3,0%”, explicou o diretor de Pesquisas da SEI e presidente do Conselho Estadual de Trabalho e Renda da Bahia, o economista José Ribeiro Soares Guimarães.
Os setores mais dinâmicos em termos de criação de empregos formais na Bahia no ano passado foram o comércio, que abriu 14.717 novas vagas (+5,74%), seguido dos serviços, com 9.571 empregos (+1,96%), e da indústria de transformação, que criou 6.715 novos postos (+4,29%). “A criação de 14 mil empregos no comércio, sendo 12 mil no comércio varejista, guarda relação direta com o bom desempenho dessa atividade no estado. Com efeito, a Pesquisa Mensal de Comércio (IBGE/SEI) apurou crescimento acumulado de 9,5% no volume de vendas do comércio varejista entre janeiro e novembro de 2006”, frisou Ribeiro.
A agropecuária e a construção civil foram os principais responsáveis por puxar para baixo a taxa do Caged. A primeira eliminou 4.392 empregos em 2006. “A redução de 5,72% no nível de emprego formal no setor agropecuário está associada ao seu desempenho econômico, que apresentou o pior resultado dos últimos sete anos, devendo encerrar 2006 com uma queda de aproximadamente 5%, em função, sobretudo, da queda na produção de grãos por conta das estiagens”, informou o economista. A construção civil demitiu 2.323 trabalhadores.
Em termos espaciais, o Caged aponta que a Região Metropolitana de Salvador foi responsável pela criação de 14.967 empregos (cerca de 60% do total de vagas abertas no estado), enquanto o interior respondeu pelo surgimento de 10.122 vagas (40% do total). No âmbito dos municípios, os destaques ficaram por conta de Salvador, com a criação de 12.097 empregos (crescimento de 2,95%), Feira de Santana (2.946 vagas e incremento de 4,85%), Camaçari (2.291 postos e variação de 4,65%) e Vitória da Conquista (1.914 postos e aumento de 5,74%).