Em audiência no Palácio do Planalto, o presidente da Ford América do Sul, Dominic DiMarco, anunciou hoje (4), ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e ao governador Jaques Wagner, investimentos de R$ 2,2 bilhões para o Brasil no período de 2007 a 2011. Também participou do encontro o governador Cid Gomes, do Ceará. Os recursos serão aplicados na Bahia, no Ceará e em São Paulo, porém a grande parte dos recursos irá para o Nordeste, sendo quantia significativa para o Pólo de Camaçari(BA).
Jaques Wagner disse que ficou muito satisfeito com o anúncio, pois vai gerar a abertura de novos postos de trabalho e o incremento à indústria do biodiesel. “Fiquei entusiasmado pois enquanto a indústria automobilística está desacelerando nos EUA, a Ford está apostando no Brasil, no Nordeste e na Bahia”, afirmou. “O presidente Lula disse ao presidente da Ford que está absolutamente confiante no quadro de crescimento e na aposta na nova matriz energética do álcool e do biodiesel”, relatou Wagner.
Para o governador, a Ford está apostando no crescimento do País a partir do Nordeste, e a Bahia terá um papel de destaque no processo. O presidente da Ford disse que o objetivo da empresa é fortalecer sua presença na região, mas não especificou o valor exato para a Bahia, alegando ser uma “estratégia da empresa” não antecipar o cronograma de aplicação dos valores.
Durante a audiência foi informado ao presidente Lula que pelo menos R$ 1,8 bilhão serão direcionados aos dois estados do Nordeste, sendo parte para o desenvolvimento da área de engenharia e a compra da Troller, no Ceará, empresa brasileira fabricante de utilitários, veículos off-road.
Na Bahia, serão aplicados recursos em programas de incentivo ao Biodiesel. Haverá um esforço de desenvolvimento na área de engenharia com a finalidade de atingir, em curto espaço de tempo, o nível B-5, o segundo ciclo do Biodiesel e a forte capacitação para garantir a competitividade do setor a longo prazo. ""Estes investimentos no Brasil refletem a confiança da Ford no País, que vive um período de estabilidade e crescimento da economia. Além disso, deixam claros os nossos objetivos de manter um forte nível de competitividade tanto para o mercado interno como o externo"", afirmou DiMarco.
Dívida encontrada
Assediado pela imprensa nacional, Wagner confirmou ter encontrado, ao assumir o governo da Bahia, uma dívida da ordem de R$ 620 milhões, destacando a situação da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), com dívidas que montam a R$ 80 milhões. “Se fosse uma empresa privada já estaria falida”, disse ele, acrescentando que seu governo fará todos os esforços possíveis para recuperá-la.
Wagner disse que vai enfrentar a situação com um amplo programa de combate ao desperdício, lembrando que já determinou o preenchimento de apenas 70% dos mais de 12 mil cargos comissionados do Governo do Estado. Apesar das dificuldades, Jaques Wagner tranqüilizou os funcionários estaduais, assegurando que não haverá atraso do pagamento da folha de pessoal.
Para a restauração das estradas baianas, encontradas em estado lastimável, ele disse esperar contar com forte apoio do Governo Federal. Segundo ele, os governadores dos estados nordestinos devem atuar de forma unida para aumentar o poder de barganha sobre o Governo Federal e assegurar o atendimento de seus pleitos.
Ele lembrou que dos nove estados do Nordeste, sete foram eleitos pelos partidos que formam a base de sustentação do Governo Lula, o que, aliada à preocupação específica que o presidente tem com a região, levará a um período de grande desenvolvimento para os estados nordestinos.
Segundo Jaques Wagner, durante o encontro que teve com os dirigentes da Ford, o presidente Lula mostrou-se absolutamente confiante em quatro anos de crescimento econômico robusto para o Brasil.
Ressalvando que não é mais ministro das Relações Institucionais, ele disse que, a exemplo do presidente Lula, defende a unidade de toda a base de apoio ao governo em torno de um único candidato à presidência da Câmara dos Deputados.