No extremo Oeste do Estado da Bahia e na região semi-árida, existem pontos de desertificação em meio aos plantios de grãos. São solos destruídos onde não nasce mais nada mesmo com muita chuva. Para estruturar uma agenda de combate à desertificação na Bahia e intensificar suas ações, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia (Semarh) está participando da Reunião do Comitê de Revisão e Implementação da Convenção de Combate à Desertificação em Buenos Aires, na Argentina, que segue até quarta-feira (21). É a primeira vez que a Bahia participa do encontro.
O diretor-geral da Superintendência de Recursos Hídricos (SRH), Julio Rocha, foi convidado a participar da delegação brasileira pelo coordenador técnico do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, José Roberto Lima, do Ministério do Meio Ambiente, onde estão presentes representantes de 191 países do mundo.
Ele viajou com o objetivo de trazer informações para preparar o Estado para a implementação de medidas concretas no combate à desertificação, além de contatos para realizar, em maio, em Salvador, um seminário sobre desertificação, que já atinge duas regiões do estado.
A destruição do solo não acontece somente por falta de água, mas por uma combinação de solo frágil com mecanização agrícola intensa e utilização pesada de insumos químicos, conforme explicou o geólogo da SRH, Leib Carteado.
A desertificação foi considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) um problema de ordem global definido como “o processo de degradação de terras nas zonas áridas, semi-áridas e subúmidas-secas, produzidos por fatores diversos, entre os quais as variações climáticas e atividades humanas”.
O Programa Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca ressalta que a desertificação é um problema de grande dimensão resultante de fatores físicos e sociais, e por isso requer a cooperação dos vários segmentos sociais (comunidades impactadas, comunidade científica, governo federal, estadual e municipal) para atenuar o processo.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, as regiões áridas, semi-áridas e subúmidas secas representam quase um terço da superfície terrestre, abrigam mais de um bilhão de seres humanos e são responsáveis por 22% da produção mundial de alimentos.
A ampliação destas áreas, tanto no Brasil como no resto do planeta, é conseqüência da exploração inadequada dos recursos naturais pelo homem, cujo resultado são o aquecimento global, eventos climáticos extremos mais freqüentes como inundações, ondas de calor, menor volume de chuva em regiões secas, incidência de furacões, tufões e ciclones. Na Bahia, a região semi-árida ocupa 62% do território, o que corresponde a 258 municípios.