A escolha da Bahia para sede do encontro mundial da Nestlé, o Welness Champions, pode ensejar mais parcerias, tanto na área empresarial, gerando mais investimentos, emprego e renda no estado, como na área social. A opinião é do governador Jaques Wagner, que participou da abertura do evento, hoje (19), em Salvador, ao lado de representantes da empresa na Suíça, nos Estados Unidos, no Canadá e nos países da América Latina.
Durante o evento, que se estende até quinta-feira (22), estão sendo discutidos conceitos de nutrição, assegurando-se que as estratégias dos negócios estejam alinhadas com a visão global da companhia. “Essa é uma reunião da empresa, mas tratando de um tema que nos interessa, pois ainda temos muitos problemas nessa área alimentar e nutricional”, declarou Wagner.
O governador lembrou que a Bahia está firmando parceria com o governo federal para recuperar a lavoura do cacau, o que deve beneficiar os negócios da Nestlé no estado. “Na quarta-feira, em Brasília, deve ser assinado um decreto formando um grupo de trabalho para chegar a uma medida estruturante sobre financiamentos e renegociação das dívidas dos cacauicultores baianos”, comentou.
Wagner disse ainda que o Governo do Estado está empenhado em programas para atração de empresas. “Eu fico muito satisfeito de ouvir da Ford, da Bridgestone e da própria Nestlé que a produtividade da nossa mão-de-obra está entre as melhores de onde as empresas estão instaladas. Por isso, estou indo ao Japão no próximo dia 23, a convite do governo japonês, para negociar novos investimentos”, anunciou. Segundo ele, a Bahia está fazendo muitas parcerias com a iniciativa privada para a qualificação de mão de obra, em especial na área de serviços, que é o destino natural da Bahia.
Importância baiana
Para o presidente da Nestlé no Brasil, Ivan Zurita, a Bahia estar sediando o evento representa o peso das unidades baianas da empresa. “O governo vem fazendo a sua parte e nós, como empresários, também temos que fazer a nossa. A idéia é desenvolver um programa para ensinar às famílias qual é a maneira certa de se alimentar”, comentou. Segundo ele, hoje, no Brasil, há 77 mil crianças sendo beneficiadas pelo projeto social da Nestlé. “Ás vezes, uma família tem uma renda de R$ 300 e investe em pão. O pão não faz mal, mas sozinho não é a melhor alimentação. Em Feira de Santana, nós já estamos iniciando este projeto”, afirmou.
Zurita afirmou que o encontro realizado na Bahia é de suma importância para a Nestlé, pois aqui estão reunidas as pessoas responsáveis pelo projeto de nutrição da empresa na Suíça, Estados Unidos, Canadá e nos países da América Latina. “Por outro lado, o Estado foi escolhido para sediar o evento porque quem conhece a Bahia conhece a alma do brasileiro. Então, vamos debater, durante estes dias, o problema da nutrição no Brasil em suas diferentes regiões”, declarou.
O combate à vassoura-de-bruxa que atinge os cacauicultores do Sul da Bahia também foi abordado por Zurita. “Temos uma base em Itabuna. Com o problema da vassoura-de-bruxa, trouxemos pesquisadores e especialistas e estamos trabalhando junto com o governo para eliminar este problema”, declarou. Ele disse que duas fábricas importantes da Nestlé, em Vila Velha, no Espírito Santo, e em Caçapava, em São Paulo, são abastecidas pelo cacau baiano.
No início de fevereiro, a Nestlé inaugurou uma nova fábrica no Centro Industrial de Subaé (CIS), em Feira de Santana, a 110 quilômetros de Salvador. A unidade, cuja inauguração contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, possui uma capacidade instalada de produção de 50 mil toneladas por ano na primeira fase, gerando cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos.