A unidade de micropropagação vegetal do Instituto Biofábrica de Cacau utilizará as mais modernas técnicas de reprodução in vitro e entra em funcionamento no segundo semestre. A informação é do diretor-geral da Biofábrica, Moacir Smith Lima.
A unidade está instalada na própria sede do instituto, no distrito ilheense de Banco do Pedro, e terá capacidade para produzir até cinco milhões de plantas tanto para o mercado sul-baiano como para todo o Brasil. “As obras e convênios foram acelerados para garantir o funcionamento da unidade o mais rápido possível”.
A fase de testes já começou, segundo o diretor-geral. “Estamos em fase final de treinamento dos técnicos melhoristas que atuarão na unidade”. Moacir destaca a alta capacidade tecnológica da unidade e o perfil do consultor do projeto, Hermínio Souza Rocha, engenheiro agrônomo com mestrado em fitotecnia pela Universidade Federal de Lavras (MG) e especialização em micropropagação biológica em Tsukuba, Japão.
Onze técnicos estão sendo treinados intensivamente para trabalhar na unidade. Hermínio Rocha afirma que a biofábrica dá um grande salto tecnológico ao investir na unidade de micropropagação vegetal. “Essa é uma tecnologia bastante moderna que agrega valor à muda produzida, com selo de certificação internacional de qualidade”.
Ele explica que a unidade fornecerá ao produtor material com controle genético, aliado a um controle de gerações. “Em resumo, produziremos material com alta qualidade genética e fitossanitária, dentro dos mais altos padrões internacionais de micropropagação in vitro”.
Inicialmente, serão fornecidas mudas de variedades da bananeira e abacaxizeiro, conforme o cientista Hermínio Souza Rocha. “Estas serão as duas espécies reproduzidas in vitro neste começo. Mas vamos ampliar esse leque para plantas ornamentais, como orquídeas, bromélias”, afirma.
Rocha diz que, no caso da bananeira, o produtor terá a garantia de uma planta altamente saudável, livre de doenças e imune a pragas como as sigatokas negra e amarela e mal do Panamá. Já o abacaxizeiro estará livre de uma das mais devastadoras pragas deste tipo de cultura agrícola, a fusariose.
Alta produtividade
O diretor-geral Moacir Lima afirma que a Biofábrica se antecipa ao ser uma das poucas empresas brasileiras credenciadas a multiplicar materiais produzidos pelo programa de melhoramento genético da Embrapa. Moacir diz que a Biofábrica possui convênio de cooperação técnica com a Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas, e está assinando outro licenciamento de materiais resistentes que são produzidos pelo programa de melhoramento da cultura da bananeira, executado pela Embrapa.
Os produtores terão acesso a material de alta qualidade genética, reforça Moacir, e com produção de 30% a 50% superior às outras espécies cultivadas no modo tradicional. No caso da bananeira, os frutos ficam prontos para consumo três meses antes daqueles cultivados no sistema comum.
“As principais vantagens da planta micropropagada são a isenção de doenças, alta capacidade produtiva (produz até três vezes mais cedo) e menos agressividade ao ambiente, porque não necessita de agrotóxico antes e depois do plantio”.
Micropropagação vegetal
A micropropagação vegetal é um processo pelo qual é retirado um pequeno segmento da planta matriz, selecionada com base nas suas excelentes características (dentre elas a produtividade), como explica o engenheiro agrônomo Hermínio Souza Rocha. “O melhorista ou o técnico especializado na cultura vai ao campo e seleciona uma planta que tem caracteres agronômicos excelentes para serem multiplicados”.
Após essa seleção, um pequeno segmento da planta é extraído e vai para o interior de um vidro (in vitro). Esse meio de cultura artificial vai substituir a terra, só que com todos os nutrientes altamente balanceados para que esses pequenos pedaços da planta os absorvam e gerem, ao final do processo, 350, 400 mudas com a mesma informação genética da planta mãe que você selecionou.
Moacir Smith Lima explica de forma simples como funciona e o resultado da micropropagação. “Fazendo uma analogia com o futebol, significa dizer que você vai selecionar um monte de ‘Ronaldinhos’ e vai produzir uma Seleção Brasileira a partir dessas ‘matrizes’”, diz Hermínio.