Até Quarta-feira de Cinzas, 250 mil abanadores alusivos ao combate à exploração sexual infanto-juvenil devem ser distribuídos pelas ruas de Salvador. A ação integra a campanha de conscientização realizada pelo Comitê de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes do Estado da Bahia, que está aproveitando o período de Carnaval para alertar a população sobre o problema.
Os abanadores estão sendo distribuídos nos postos da Bahiatursa localizados no Pelourinho, Shopping Barra, rodoviária, aeroporto, Mercado Modelo e Praia do Forte.
A campanha conta com a colaboração de artistas da música baiana, que estão orientando a população e chamando a atenção sobre o tema durante o desfile de seus blocos. Nesse time estão Daniela Mercury, Bell Marques e Ivete Sangalo.
Além dos postos da Bahiatursa, a distribuição acontece nas cabines de cobrança de pedágio no Litoral Norte, no camarote da Câmara de Vereadores (Campo Grande) e em sete bairros onde está havendo Carnaval, como Cajazeiras, Liberdade, Itapuã, Pau da Lima e Periperi. Em todos esses locais, cerca de 200 pessoas estão mobilizadas.
Banners e cartazes da campanha também estão espalhados pela cidade, num trabalho que se intensifica no Carnaval e prossegue até o final de março.
O problema tende a ficar mais forte e evidente durante a festa, por causa do grande número de turistas que vêm a Salvador não apenas para curtir, mas também com a intenção de explorar sexualmente crianças e adolescentes.
Na festa, quem souber de qualquer ato desse tipo ou perceber o envolvimento suspeito entre adultos e adolescentes deve denunciar o fato imediatamente a algum policial que estiver próximo. Assim, ele fará a abordagem e, se necessário, encaminhará o caso à Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Derca). Existe ainda o Disque 100 – disque-denúncia cujo número do telefone é 100.
De acordo com Waldemar Oliveira, coordenador do Comitê de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes do Estado da Bahia, não existem números oficiais a respeito do problema em Salvador e na Bahia.
Ele explicou que a menina que é explorada sexualmente, de modo geral, contribui financeiramente para o sustento de sua família. Por isso, o pai e a mãe costumam agir de forma omissa e se calam diante do fato de a filha estar vendendo o corpo.
Problema social
Oliveira disse que isso gera um problema social muito grande, “decorrente da má distribuição de renda e da situação de miserabilidade de muitas famílias que sequer dispõem de um salário mínimo para se manter”.
O trabalho integra a Campanha Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo governador Jaques Wagner em Salvador no último dia 9.
Na Bahia, a mobilização está sendo liderada pelo comitê estadual, que é coordenado pelo Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan (Cedeca) e conta com a participação de 74 entidades governamentais e não- governamentais. Uma delas, inclusive, é a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis/ Seção Bahia (ABIH/BA), que está fazendo a distribuição do material informativo nos hotéis.
Na esfera estadual, a campanha conta com a colaboração da Bahiatursa e da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes). A prefeitura de Salvador também está dando apoio e a distribuição de material acontece em Porto Seguro.