O Carnaval de Salvador teve, este ano, um homicídio a menos que o de 2006. A Polícia Militar registrou a ocorrência de dois homicídios, entre as 19h de quinta-feira até a Quarta-feira de Cinzas. No ano passado, três pessoas foram mortas na área da festa.
As agressões físicas somaram 1.714 casos este ano, contra 1.715 no ano passado. Esse número leva em conta os registros nos hospitais e postos de saúde, dos quais 444 tiveram queixa policial registrada. Os casos de porte, uso e tráfico de drogas chegaram a 94 este ano contra 40 em 2006, o que revela maior efetividade na ação policial.
As ocorrências de roubo e furto chegaram, este ano, a 1.403, contra 1.253 em 2006. Do total de roubos e furtos, 74 casos se referem a assaltos a ônibus. Em 2006, esse tipo de ocorrência chegou a 75, um a mais que o Carnaval deste ano.
Os assaltos a ônibus tiveram ampla divulgação na mídia e foram tratados equivocadamente como arrastões, sobretudo pela imprensa do sul do País. “Essa denominação não se aplica à Bahia. Aqui houve a ação de grupos de vândalos que em um dia praticaram esses roubos. A Polícia Militar coibiu essa ação com o emprego de 300 homens distribuídos em 100 viaturas, que contaram com a ajuda de um helicóptero”, afirmou o coordenador de Comunicação Social da PM, Coronel Aristóteles Borges.
O maior aporte tecnológico da Secretaria de Segurança Pública permitiu o registro fiel das ocorrências policiais no Carnaval 2007. O uso de câmeras, celulares, helicópteros e o novo sistema de gerenciamento de informações garantiu resposta e contabilização das demandas. “Temos um novo sistema de gerenciamento de informação que permite que as ocorrências registradas nas delegacias sejam diretamente enviadas para o setor de estatística. Isso impede a subnotificação”, disse a diretora do Centro de Documentação e Estatística Policial (Cedep), Emília Blanco.
Homicidas presos
Os autores dos dois homicídios ocorridos nos circuitos do Carnaval foram capturados logo após os crimes e estão à disposição da Justiça. O aspirante a oficial PM, Irlan Michel Correia dos Santos, e César Oliveira de Souza, que assassinaram o sargento PM Sidnei Pimentel dos Santos na segunda-feira (19), na rua Carlos Gomes, foram autuados em flagrante por homicídio pela delegada Taís Siqueira do Rosário, plantonista da 1ª Delegacia.
Ednaldo da Paixão Machado que assassinou com dois tiros na cabeça, Jomário Barbosa da Cruz e baleou no pescoço Deise Ramos dos Santos na madrugada de terça-feira (20), na Avenida Oceânica, foi autuado pela delegada Maria do Socorro Costa, plantonista da 14ª delegacia (Barra).
No Carnaval 2007, houve nove tentativas de homicídio nos circuitos Dodô (quatro casos) e Osmar (cinco). Na segunda-feira (19), Cristina Caldeira de Souza foi presa por ter arremessado um tamborete de madeira do sexto andar do Edifício Aliança, no bairro da Piedade, atingindo a cabeça de Gildásio Cardoso dos Santos, que passava pelo local. Com exposição de massa encefálica, Gildásio submeteu-se a uma cirurgia no Hospital Geral do Estado (HGE). Na madrugada do sábado, Édson Souza Santos foi preso em flagrante, logo após ter esfaqueado dois foliões na Barra.
O total das ocorrências policiais no circuito da festa chegou este ano a 1.952 contra 1.576 verificadas no Carnaval do ano passado. “Tivemos um acréscimo no registro das ocorrências porque a polícia recebeu um aporte de tecnologia da informação, deixando de perder dados, registrando-os inclusive em tempo real por meio digital”, esclarece o coronel Aristóteles Borges.
As ações policiais nos circuitos do Carnaval totalizaram 1.512. De acordo com o Centro de Documentação e Estatística Policial (Cedep), 1.227 procedimentos foram verificados entre a Barra e Ondina. A polícia deteve 1.456 pessoas envolvidas em brigas e desordem, fez 28 prisões em flagrante, apreendeu sete armas de fogo (quatro na Orla e três no Centro) e 21 armas brancas (16 na Orla e cinco no Centro).
Bairros
No Carnaval de Cajazeiras registraram-se 20 ocorrências de agressão física/rixa e uma de lesão corporal. A polícia apreendeu duas armas brancas e deteve 35 pessoas. Em Itapuã, aconteceram dez casos de agressão física e dois de lesão corporal, cinco furtos, cinco roubos e uma ocorrência por porte e uso de drogas. A polícia deteve no bairro 17 pessoas, apreendeu uma arma de fogo e uma arma branca.
No Carnaval da Liberdade, foram registrados apenas três furtos. Em Pau da Lima, onde a Polícia deteve dez pessoas, houve 21 ocorrências de agressão física e uma de lesão corporal, além de um furto. Em Periperi, aconteceram seis casos de agressão física, um de lesão corporal, um furto e um caso de porte e uso de drogas. A polícia deteve 38 pessoas.
Fora do circuito carnavalesco houve o registro de 76 ocorrências entre quinta-feira (15) e o início da manhã desta quarta-feira (21). Foram sete casos de agressão física/rixa, oito de lesão corporal, dois de tráfico de drogas, um de porte e uso de drogas, 48 furtos e nove roubos. Além da morte da garota Joilma Souza dos Santos, 9 anos, residente no subúrbio ferroviário de Periperi.
Depois de assistir ao desfile de blocos no circuito do Campo Grande ela voltava para casa com a mãe, Sueli de Jesus Souza, 29, em um microônibus e foi baleada no tórax por um desconhecido, quando o veículo passava por Plataforma. Houve ainda uma tentativa de homicídio. A polícia fez 110 procedimentos, sendo 99 detenções, dez prisões em flagrante e a apreensão de uma arma branca.
Segundo informações do Grupo Especial de Repressão a Roubos em Coletivos (GERRC) da Polícia Civil, repassadas ao Cedep, foram registrados em Salvador, entre a meia-noite de quinta feira (15) e a meia-noite de terça-feira (20), 74 roubos a ônibus (redução de 1,3% em relação ao mesmo período no Carnaval do ano passado, quando ocorreram 75 casos).
Ação
O policiamento do Carnaval de Salvador contou com aproximadamente 20 mil policiais civis e militares e teve como novidade a utilização do helicóptero do Grupamento Aéreo da Polícia Militar no monitoramento dos 25 quilômetros da área reservada para a festa. As tropas da PM utilizaram 900 celulares, que funcionaram como ramais móveis e facilitaram o registro de ocorrências policiais e o acionamento de equipes de reforço.
Através dos celulares, os grupamentos enviaram mensagens a uma central para informar sobre as ocorrências atualizando os dados em tempo real. O uso do celular possibilitou ainda um reforço mais rápido do efetivo policial em trechos onde ocorriam delitos e brigas.
“As polícias Militar e Civil da Bahia desenvolvem um trabalho eficiente, reconhecido por organismos internacionais da Espanha e de países da África, como instituições gerenciadoras de conflitos e de eventos que atraem grande público. Eles nos procuram para obter esse know how”, destacou o secretário estadual de Segurança Pública, Paulo Bezerra.