Ceplac completa 50 anos apostando na revitalização da cacauicultura

16/09/2007

“A dívida dos cacauicultores foi equacionada e, agora, junto com o governo federal, vamos chegar a uma solução definitiva, para que a lavoura possa voltar a ser o que foi historicamente para a Bahia, uma fonte de riqueza e geração de emprego e renda”. A declaração do governador Jaques Wagner ilustra a renovação da esperança dos produtores de cacau do sul da Bahia, durante a comemoração, hoje (28), em Ilhéus, dos 50 anos da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).


Wagner disse que está feliz com a marca dos 50 anos do órgão. “Então, vamos trabalhar para que uma nova institucionalização dê mais autonomia à Ceplac”, garantiu. Ele disse que para ele é prioridade encontrar para a região cacaueira uma forma de voltar a dar produtividade à lavoura de cacau, intermediando com outras culturas. “Foi este apoio que eu busquei como ministro e que estou buscando agora como governador”, afirmou.


O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Luiz Gomes, disse que o principal desafio da Ceplac agora é recuperar a competitividade da cacauicultura brasileira, o que vai passar por questões tecnológicas e de gestão. “Vamos continuar capacitando os produtores e estruturar a Ceplac. Há muito o que fazer ainda, os resultados são lentos, então é necessário que estes investimentos sejam mantidos”, observou. Para ele, a região cacaueira tem importância para o país nos aspectos econômico, ambiental, cultural e social, precisando, assim, ser preservada.


Segundo o secretário de Agricultura, Reforma Agrária e Irrigação, Geraldo Simões, essa parceria entre os governos federal e estadual tem grande importância. “A região cacaueira agora é prioridade, então vamos trabalhar pela institucionalização da Ceplac, resolver a questão da dívida dos cacauicultores e reformular a economia. É um belo momento que a região está vivendo”, comentou.


Valor agregado


O diretor da Ceplac, Gustavo Moura, disse que o Centro de Desenvolvimento e Capacitação Tecnológica Agroindustrial foi construído para treinamento e capacitação. “O cacau, que é vendido a R$ 3,50 o quilo, vai passar subir para R$ 70, no mínimo, e R$ 400, no máximo, depois de transformado em chocolate”.


Moura disse também que a instituição é responsável pelo desenvolvimento da região cacaueira, que resultou no Porto de Ilhéus, na universidade, na construção de estradas, entre outros benefícios. “Agora, com uma nova visão de desenvolvimento rural sustentável, nós precisamos aprender a trabalhar com recursos naturais de maneira equilibrada e rentável”.


É o que está fazendo o cacauicultor Ademar Nuno, 73 anos. Produtor de cacau há 35, possui uma propriedade com 400 hectares, dos quais 188 são de cacau. “Quando comecei, não tinha técnica e levava prejuízo. Com a tecnologia que a gente aprendeu com a Ceplac, cheguei a colher 11,3 mil arrobas por ano, mas a vassoura-de-bruxa acabou com minha plantação”, lembrou.


Ele disse que agora está trabalhando com plantas clonadas e colhendo cerca de 3 mil arrobas. “Diversifiquei com outros produtos, mangustão, cupuaçú, guaraná e pimenta. Tudo com a orientação da Ceplac”.


Comemorações


As atividades comemorativas incluíram as inaugurações do Centro de Desenvolvimento e Capacitação Tecnológica Agroindustrial Euclides Teixeira Neto, do Memorial 50 anos e das obras de recuperação da infra-estrutura predial e rodoviária da sede da Ceplac. Foram ainda entregues 104 viaturas e 234 computadores.


Em seguida, Wagner visitou o Museu José Haroldo de Castro Vieira e áreas de sistemas agroflorestais.Foram também lançados, na ocasião, os livros Manejo Integrado de Rhynchophorus palmerum L. no Agrossitema do Dendezeiro no Estado da Bahia e Ciência e Tecnologia e Manejo do Cacaueiro e de Novos Clones de Cacau, Seringueira e Nova Variedade de Mandioca, desenvolvidos pelo Centro de Pesquisa do Cacau (Cepec).


O Centro de Desenvolvimento e Capacitação Tecnológica Agroindustrial Euclides Teixeira Neto foi criado com o objetivo de desenvolver tecnologias para o aproveitamento de matérias-primas da Mata Atlântica e está instalado na sede regional da Ceplac, no eixo Itabuna-Ilhéus. O investimento de R$ 800 mil é fruto de uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário, Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).


O centro agrega valor à fabricação do chocolate, acrescentando outros frutos ao processo e diversificando os produtos finais. Na segunda fase, serão testadas técnicas de aproveitamento de outros produtos, como cajá, graviola, maracujá, mamão e abacaxi.


História


A Ceplac foi criada pelo governo federal em fevereiro de 1957. Vinculado ao Ministério da Fazenda, o Plano de Recuperação Econômico-Rural da Lavoura Cacaueira apresentava como objetivos restabelecer o equilíbrio financeiro dos produtores rurais e recuperar a lavoura cacaueira através da modernização dos métodos de produção.


O processo de modernização implicou na implantação do Centro de Pesquisas do Cacau, com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia a serviço a reestruturação e melhoria da qualidade da lavoura, e do Departamento de Extensão, possibilitando a assistência técnica e a difusão e expansão de novos conhecimentos. Além disso, a Ceplac investiu no ensino técnico, através da criação das Escolas Médias Agropecuárias (Emarcs).


O conceito pesquisa-assistência técnica-ensino proporciona não apenas o fortalecimento do cacau, como a participação da Ceplac em projetos de diversificação agropecuária e na agroindústria, que reduzem a dependência da monocultura. A atuação da Ceplac, antes restrita ao Sul da Bahia e ao Espírito Santo, estendeu-se a partir da década de 60 para a Amazônia, abrangendo os estados do Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Rondônia.


A missão da Ceplac é promover a competitividade e sustentabilidade dos segmentos agropecuário, agroflorestal e agroindustrial para o desenvolvimento das regiões produtoras de cacau, tendo o produtor como parceiro e objetivo principal. Para isso, adota um modelo de atuação que integra desenvolvimento de pesquisas, extensão rural e ensino agrícola. Foi considerada, durante três décadas, instituição-modelo na agricultura.


Os pesquisadores do órgão desenvolvem programas e projetos agroindustriais e repassam seus conhecimentos técnicos aos produtores de cacau. Sua atuação abrange também os campos da assistência técnica, treinamento de mão-de-obra, cooperativismo, estímulo à diversificação de cultivos e apoio a programas de infra-estrutura.


Na Bahia, as ações da Ceplac abrangem mais de 100 municípios e possui a seguinte estrutura: três centros de pesquisa; três centros de extensão; 94 escritórios locais; 16 núcleos regionais; 24 postos avançados; cinco escolas médias de agropecuária regional, que formam jovens em cursos técnicos de agropecuária, agrimensura, alimentos e economia doméstica.