A Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos do Estado (CNCDO/Bahia) recebeu na madrugada de hoje (5), a primeira doação de múltiplos órgãos deste ano. A doação e a captação dos órgãos, que aconteceram no Hospital Agenor Paiva, beneficiaram pacientes baianos que estavam em fila de espera para transplante de rim, fígado e córneas. O coração foi enviado para Curitiba, a fim de ser utilizado em transplante de válvulas cardíacas. O médico Eraldo Moura, coordenador do Sistema Estadual de Transplantes (Coset), da Secretaria da Saúde do Estado, afirmou que o gesto da família, autorizando a doação dos órgãos, deve servir como exemplo, estimulando outras pessoas para que doem órgãos e ajudem a salvar vidas.
Na Bahia, onde atualmente são feitos transplantes de rim, fígado, córneas e medula óssea, foram contabilizadas, no ano passado, 16 doações de múltiplos órgãos. Estima-se que existam, no estado, menos de dois doadores de órgãos por milhão de habitantes, quando o ideal seria em torno de 50 doadores por milhão. Apesar do reduzido número de doadores, Eraldo Moura faz um balanço positivo do setor no ano passado e aponta alguns avanços, a exemplo da inclusão, nos cursos de medicina, de um módulo específico sobre transplantes.
O médico cita também a inauguração do Banco de Olhos do Estado, que funciona no Hospital Roberto Santos, e a promoção de atividades científicas e educativas, inclusive em municípios do interior, com o objetivo de difundir informações sobre o processo de doação e transplantes de órgãos. Como metas a serem alcançadas, ele cita a realização de transplante cardíaco, já em fase de negociação e, num prazo mais amplo, pulmonar.
No Brasil, atualmente, existem cerca de 64 mil pacientes em fila de espera para transplante e são realizados, em média, 13 mil transplantes/ano, o que leva a uma desproporção entre a fila e o número de transplantes realizados. Na Bahia, o número de pacientes em fila de espera para transplante está em torno de três mil.