O comércio baiano encerrou 2006 acumulando um incremento de 9,73%. Esse foi o crescimento mais expressivo das vendas do varejo dos últimos três anos, período em que o setor apresentou resultados positivos consecutivos. Em 2005, a expansão foi de 7,06%. Os dados foram apurados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), realizada em âmbito nacional pelo IBGE e divulgada em parceria pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), órgão ligado à Secretaria de Planejamento (Seplan).
“A conjuntura atual como um todo está impulsionando o comércio: o aumento do emprego, a recuperação gradual dos rendimentos dos trabalhadores, a inflação que está colaborando, a ampliação da concorrência com os importados e a expansão do crédito”, explicou a analista da SEI, Maria de Lourdes Caires. Há 37 meses consecutivos o comércio baiano vem apresentando desempenhos positivos.
Em dezembro, o volume de vendas do comércio varejista na Bahia se expandiu 11,28% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No comparativo mensal (dezembro/novembro), houve acréscimo de 1,75% nas vendas.
Tradicionalmente, dezembro é considerado o melhor mês para o varejo. Na análise em relação a dezembro de 2005, dos oito segmentos que fazem parte do indicador, seis contribuíram de forma positiva: Outros artigos de uso pessoal e domésticos (22,12%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (17,00%) – tendo o subgrupo de Hipermercados e supermercados o desempenho expressivo de 28,45% -, Móveis e eletrodomésticos (9,63%), Tecidos, vestuário e calçados (7,34%), Combustíveis e lubrificantes (4,24%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (2,93%).
Por outro lado, dois itens tiveram variações negativas: Livros, jornais, revistas e papelaria (-32,22%) e Equipamentos e materiais para escritório informática e comunicação (- 3,39%). Entre os ramos que não compõem o cálculo, mas são pesquisados pela PMC, Veículos, motocicletas, partes e peças, as vendas expandiram-se em 5,60%, e Material de Construção se retraiu em 7,53%.
Impacto positivo
Apesar da principal expansão ter sido do grupo de Outros artigos de uso pessoal e doméstico (22,12%), o maior impacto positivo foi do grupo de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, especialmente devido aos resultados do subgrupo de hipermercados. Esse grupo é o de maior representatividade na estrutura do indicador, respondendo por mais da metade da taxa que mede o comportamento do comércio e sua influência tem se destacado desde início de 2006.
Por se tratar de um grupo que comercializa essencialmente gêneros de primeira necessidade e é fortemente influenciado pelo poder de compra da população, o aumento das vendas foi propiciado pela estabilidade no emprego e recuperação gradual do rendimento. “Vale ressaltar que, inversamente ao que ocorre com o segmento de bens duráveis, cujas vendas são fortemente atreladas ao crediário, esse é dependente da renda”, explicou Maria de Lourdes Caires. Nesse ano, a queda de preços dos produtos básicos e o reajuste do salário mínimo em percentual acima do índice oficial da inflação geraram elevação da massa salarial da população de mais baixa renda, refletindo-se no aumento do consumo de alimentos.
Considerando o subgrupo de Hipermercados e supermercados, as vendas foram influenciadas pelas constantes promoções empreendidas pelas grandes redes e as vendas por meio do cartão de crédito das próprias lojas, principalmente de produtos de maior valor. Vale ressaltar que a entrada no mercado de grande variedade de produtos importados a preços mais baixos que os nacionais contribuiu para elevar as vendas, principalmente dos produtos tradicionalmente consumidos nas festas de fim-de-ano. De janeiro a dezembro, tomando-se como base o mesmo período do ano anterior, as vendas do subgrupo expandiram-se em 23,34%.
Já os segmentos de Móveis e eletrodomésticos e de Equipamentos e materiais para escritório informática e comunicação, que com as facilidades de crédito tiveram as taxas mais expressivas em 2004 e 2005, vêm, desde junho passado, indicando, o primeiro, desaceleração no nível de atividade, e, o segundo, oscilando entre pequenas variações positivas e desempenhos negativos.