Cerca de 100 artistas, moradores e representantes de 32 entidades do subúrbio ferroviário (associações, escolas e grupos comunitários) se reuniram no I Seminário do Centro Cultural de Plataforma. Realizado no cine-teatro do bairro, fechado há cerca de 20 anos, o evento possibilitou a indicação, pela própria comunidade, da nova gestora do espaço - Ana Vaneska Almeida.
Durante o seminário, foram apresentados os oito técnicos que farão parte da equipe do Cine-Teatro. Muitos deles, moradores da comunidade. Um amplo debate também foi realizado sobre a importância do Cine-Teatro de Plataforma como espaço de articulação e fomento à cultura no subúrbio.
O encontro, que teve a participação do secretário de Cultura, Márcio Meirelles, também marcou a articulação entre os poderes públicos municipal e estadual em prol da cultura local. A idéia é ocupar e dinamizar o equipamento com uma programação que atenda às necessidades da comunidade e estimule a produção cultural local.
A diretora da Fundação Cultural do Estado da (Funceb), Gica Nussbaumer, destacou a importância dos novos gestores dos equipamentos na interlocução com as comunidades: “Serão eles quem farão a articulação entre a Fundação e a população local”.
Força popular
O Cine-Teatro Plataforma é um símbolo da força do movimento popular do subúrbio, lembrou a socióloga Antônia Garcia, fundadora da Associação de Moradores de Plataforma, num relato sobre a história do espaço feito durante o seminário. “O Cine-Teatro foi construído entre as décadas de 1930 e 1940 pelo antigo Círculo Operário, com apoio da Igreja Católica. Em 1970, foi comprado pelo Governo do Estado. Funcionavam aqui, mesmo precariamente, as atividades da Associação de Mulheres, exibição de filmes, etc”.
A comunidade, através de lideranças culturais e populares, iniciou uma mobilização permanente, com manifestos, projetos e articulações políticas, para recuperar o espaço. Segundo o representante da Associação Amigos do Parque São Bartolomeu, Sílvio Ribeiro, a meta é fazer as pessoas perceberem a importância da diversidade cultural do subúrbio, para então valorizá-la e inseri-la em um plano de desenvolvimento da região.
“Várias manifestações culturais estão desaparecidas, mas podem ser resgatadas. É o caso do Reisado e da Marujada, que aconteciam no bairro de Escada, e da orquestra sinfônica do bairro de Coutos, que resiste até hoje. Ninguém sabe disso”, lamentou Sílvio. Para ele, é preciso resgatar a história dos movimentos sociais e culturais, para se criar a identidade cultural do subúrbio ferroviário.