Dimas homenageia Glauber Rocha e Castro Alves no Quartas Baianas

Publicado: 16/09/2007 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

O instigante filme de Glauber Rocha Cabezas Cortadas é a principal atração da próxima edição do programa Quartas Baianas, da Diretoria de Artes Visuais e Multimeios (Dimas), da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), amanhã (14), às 20h, com entrada franqueada ao público, como de costume, na Sala Walter da Silveira (Barris). Completa a programação o documentário de curta-metragem Cantos Flutuantes, de José Umberto, e a animação Poetanimado, de Caó Cruz Alves, em reverência à memória do Poeta dos Escravos.


A data de exibição destas obras no dia 14 coincide, não por acaso, com a de nascimento do cineasta baiano Glauber, que completaria 69 anos e, do mesmo modo, com os 160 anos do poeta, também baiano, Castro Alves - foco central dos filmes de Zé Umberto e Caó.


Filmada em Barcelona, na Espanha, no início dos anos 70, Cabezas Cortadas é uma obra ficcional em que Glauber, mais uma vez, se opõe aos regimes autoritários de todos os matizes, mas particularmente é um libelo contra as ditaduras instaladas em países do Terceiro Mundo.


A narrativa glauberiana ambienta-se num castelo, em alguma parte do terceiro mundo, onde o rei sem coroa Diaz tem lembranças delirantes. Em sonho, realiza uma viagem, escraviza índios, trabalhadores e camponeses. No país mítico de Eldorado, ele tem grande poder e novas visões: suas vítimas ameaçam destruí-lo. Um pastor o amedronta e fascina. Uma encenação que parece ser seu funeral é organizada no castelo.


Cabeças Cortadas “é um filme contra as ditaduras. É o funeral das ditaduras. Trato de um personagem que seria o encontro apocalíptico de Perón com Franco, nas ruínas da civilização latino-americana. Filmei nas pedras de Cadaqués, onde Buñuel filmou L’Age d’Or. A Espanha é a Bahia da Europa. Cabezas Cortadas desmonta todos os esquemas dramáticos do teatro e do cinema. O cinema do futuro será som, luz, delírio, aquela linha interrompida desde L’Age d’Or”.


Foi com estas idéias que o genial cineasta, um dos fundadores do Cinema Novo, concebeu o filme lançado em 1979, quando foi vencedor do Prêmio São Saruê, da Federação dos Cineclubes do Estado do Rio de Janeiro.


Tanto o documentário Cantos Flutuantes quanto a animação Poetanimado foca a grande figura do poeta revolucionário Castro Alves. O primeiro concentra-se em destacar o desempenho político e social do escritor, que inaugura a militância nas hostes da arte romântica. Castro Alves, como se sabe, combateu a escravidão, denunciando a opressão do regime escravocrata e disseminou os ideais da República. A animação, por sua vez, ressalta o paroxismo das emoções do poeta.