O documentário de longa-metragem Brilhante, da cineasta baiana Conceição Senna, é a novidade na programação da Sala Walter da Silveira, de amanhã (23) a 29 deste mês, período em que será exibido em sessões diárias, às 18h30. Complementam o programa semanal Em Segredo, do diretor croata Jasmila Zbanic, às 14h, Madame Bovary, do francês Claude Chabrol, às 16h, e Eu me Lembro, do baiano Edgar Navarro, às 20h.
Exibido pela primeira vez na própria comunidade em que foi filmado, a cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina, e em seguida, no Festival de Cinema Latino-Americano (Toulouse/França) e no XV Cine Ceará – Festival Nacional de Cinema e Vídeo, em 2005, em Fortaleza, Brilhante tem como ponto de partida a obra Diamante Bruto, realizado em 1977, também em Lençóis, por Orlando Senna, marido da diretora e secretário do Audiovisual do Miinistério da Cultura.
''Eu tinha um compromisso com Lençóis e mostrei o filme na Praça do Mercado Municipal. Queria ouvir a opinião dessa comunidade com quem temos relação muito próxima. É a cidade de Orlando e foi emocionante”, revelou Conceição, na ocasião em que também fez contatos profícuos, em Toulouse, para outros festivais na Europa.
Com roteiro também de autoria de Conceição e fotografia de Sofia Federico, Brilhante se concentra na transformação que a bela cidade da Chapada Diamantina experimentou desde os tempos memoráveis da exploração do garimpo em Lençóis, até a atualidade de um dos mais concorridos pontos turísticos do país.
Mais de um quarto de século depois do registro de Orlando Senna, Lençóis tem outro aspecto. O olhar de Conceição Senna, então, volta-se para a memória do quê - e, principalmente, de quem – sobreviveu às transformações. Brilhante surgiu em uma oficina de roteiros, ministrada por Orlando Senna, em Lençóis, há sete anos.
''Na oficina, ele mostrou Diamante Bruto. Comecei a ouvir as pessoas falando do filme e fui tomando conhecimento da importância que tinha sido o filme para a comunidade... O documentário Brilhante, de certa forma, complementa o filme de Orlando ao promover o novo encontro com a comunidade. E o filme é também sobre cinema, o cinema como transformador da cidade'', diz a autora.
Para realizar o documentário, Conceição visitou o município, entre 2001 e 2003. O filme ganhava corpo na medida em que ela remexia o silêncio dos moradores e os escaninhos do lugar. É o primeiro longa-metragem da também atriz, que estreou como diretora com o curta Memória do Sangue, de 1987, feito a partir dos herdeiros dos guerreiros de Canudos, cidade em que passou sua infância e que submergiu sob as águas do açude de Cocorobó.
''Só sei fazer as coisas com paixão. Sou apaixonada por meu marido, e sempre entro com essa carga de paixão nas coisas que faço. Lençóis é aquele recanto meu. E é a terra de Orlando, é onde vejo ele dizer: ‘Olha, ali é onde eu brincava, ali é o coreto onde eu namorava...'. Passei a amar Lençóis também. O filme é ainda uma declaração de amor ao meu marido'', delicia-se a cineasta, que realizou o documentário de forma independente, sem participar de qualquer edital do governo, por questão de ética.
A Sala Walter da Silveira é administrada pela Diretoria de Artes Visuais e Multimeios (Dimas), da Fundação Cultural do Estado da Bahia, e, desde sua implantação, há mais de 20 anos, como espaço público de importância vital na divulgação de obras audiovisuais, se dedica a exibir, a preços populares, o cinema baiano, além da produção nacional em geral e internacional relevante.