A Bahia é um dos estados brasileiros com maior potencial de desenvolvimento da economia solidária. Um levantamento preliminar indica a existência de l.096 empreendimentos nos 417 municípios baianos, com atuação de 90 mil pessoas. Os dados foram citados pelo superintendente de Economia Solidária da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Helbeth Oliva, ao participar, em Feira de Santana, da III Semana das Mulheres.
Ele destacou a importância dada pelo governador Jacques Wagner à economia solidária, que já resultou na criação da primeira Superintendência totalmente dedicada ao segmento dentro de uma Secretaria de Estado no País. Quando ministro do Trabalho e Emprego, Wagner criou a Secretaria Nacional de Economia Solidária, atualmente dirigida pelo economista Paul Singer.
O dirigente da Superintendência de Economia Solidária (Sesol), Helbeth Oliva, informou que está em andamento o mapeamento do setor em todo o Estado. O estudo vai permitir a implantação de uma política pública que possibilite o apoio técnico e de crédito aos empreendimentos solidários, privilegiando a assistência às camadas mais fragilizadas da população, criando novas oportunidades de geração de trabalho e renda.
Ele participou da mesa-redonda Economia Solidária como Política de Desenvolvimento da III Semana das Mulheres, que foi integrada à Plenária Regional de Economia Solidária. O evento reúne no campus da Universidade Estadual de Feira de Santana, até sexta-feira (9), 200 representantes dos territórios do Portal do Sertão, Recôncavo, Jacuípe e Litoral Norte.
Helbeth Oliva deixou claro em sua exposição que a economia solidária pressupõe o trabalho sem exploração e um comércio justo. E enfatizou que a construção dessa nova realidade se dá em parceria com a sociedade civil organizada. Entre as propostas da Sesol está a implantação de Centros Públicos de Economia Solidária, que serão espaços para a comercialização de produtos.
A Dirigente da uma associação de mulheres da periferia de Feira de Santana, Maria da Paixão, falou da necessidade de crédito e elogiou a proposta dos centros de comercialização. Já Ananias Nery Viana, da comunidade quilombola Kaonge, distrito de Iguape, a 20 quilômetros de Cachoeira, disse que é preciso qualificação e estudo de mercado para orientar a produção dos empreendimentos solidários.
Em Kaonge, onde vivem 415 famílias (1.811 pessoas), a prática da economia solidária já é comum. Lá a troca se aplica de mercadoria a trabalho, sendo comuns os mutirões nas roças de cada família. “A solidariedade faz parte do dia-a-dia do quilombola”, ele diz. A comunidade produz dendê e cultiva ostra. O principal problema, segundo Ananias, são os atravessadores.