A convergência entre programas de inclusão digital com ações na área de cultura está sendo abordada no Encontro de Cultura Colaborativa (Ecco), que começou terça-feira (12) e segue até amanhã (15), em Salvador. O evento tem caráter nacional e acontece com ampla programação no Sesc Piatã e no Teatro Gregório de Mattos (Praça Castro Alves). Produção de conteúdos em softwares, políticas públicas de cultura digital e acesso ao ciberespaço são alguns dos temas que estão sendo debatidos.
O secretário da Cultura, Marcio Meirelles, destacou a importância do encontro, lembrando alguns princípios da cultura livre, como a generosidade e a solidariedade. Ele também anunciou algumas novidades da sua pasta, como o lançamento de editais exclusivos para a cultura digital e projetos futuros, como a digitalização das obras de arte e o Portal da Cultura, que irá estimular a produção e a troca de bens culturais de todas as partes do estado, dando mais visibilidade aos artistas baianos e aos eventos culturais.
Uma das iniciativas em destaque no evento é coordenada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti): o Programa de Inclusão Sócio-Digital da Bahia, que possui uma rede montada de 362 centros de acesso à informática e está presente em 268 municípios. O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia, Ildes Ferreira, expôs que o desafio de sua gestão não é apenas ampliar esta rede, mas direcionar seus recursos tecnológicos para promover a melhoria da qualidade de vida da população e maior democratização da informação. Para ele, “a integração entre as tecnologias digitais e ações na área de cultura é a melhor direção para a formatação de uma política pública de inclusão sócio-digital”.
Para o coordenador de política digital do Ministério da Cultura, Cláudio Prada, “a Bahia é um território de convergência extremamente importante para juntar cultura com tecnologia”. Ele disse que os centros de acesso à informática devem funcionar como espaço multimídia, “para que a população não fique apenas baixando coisas na Internet, mas também produza e divulgue conteúdos”. Já o diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, Nelson Pretto, considerou importante este tipo de articulação com foco na formação da cidadania, “desde que a educação seja sempre o elemento estruturante dessas ações”.
Ampla programação
A expectativa é que, nos quatro dias do encontro, sejam consolidadas políticas de inclusão social, cultural e digital desenvolvidas na Bahia e no Brasil. A programação inclui oficinas, mesas-redondas e apresentações sobre licenças livres, generosidade intelectual, software livre e políticas públicas, além de exibição de fotos e vídeos. Estão previstas atividades voltadas para intercâmbio e capacitação, culminando com a elaboração coletiva de um documento com propostas e definições relacionadas aos temas Políticas Públicas, Cultura Colaborativa, Democratização das Comunicações, Diversidade e Economia Solidária.
O Gregório de Mattos receberá a programação aberta ao público, com mesas-redondas sobre licenças livres, generosidade intelectual, software livre e políticas públicas, além de exibição de fotos e vídeos. Ainda no teatro, todo o dia 15 de junho (sexta-feira) será reservado para que a população discuta e proponha políticas públicas de cultura digital, em um encontro preparatório para a II Conferência de Estadual de Cultura.
O assessor-geral de Comunicação do governo estadual, Robinson Almeida, chamou atenção para o paradoxo existente na Bahia, onde a revolução tecnológica convive com o abismo da desigualdade social. “Precisamos da utilização plena das ferramentas tecnológicas para que os serviços públicos possam absorver estes conteúdos e traduzir na ponta em avanços sociais”, pontuou.
O Ecco é fruto de uma articulação entre os projetos federais Casa Brasil e Cultura Digital, o governo, secretarias estaduais da Cultura (Secult) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), e Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos.