Políticas públicas para enfrentar as dificuldades e colocar em prática as possíveis soluções para os quilombos. Com este sentimento começou hoje (20) à, o Encontro de Comunidades Quilombolas, no Centro de Treinamento da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), em Itapuã. Representantes de quilombos da Bahia estarão reunidos até amanhã (21), para contribuir na formulação das diretrizes políticas dos Planos de Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Quilombolas.
Saúde, infra-estrutura, meio-ambiente e habitação estão sendo discutidas entre as comunidades de quilombo e gestores que participam do Grupo Intersetorial para Políticas dos Quilombos. A equipe é composta por órgão estaduais e federais. Entre eles as Secretarias de Promoção da Igualdade, de Saúde e de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia, além do CDA, Incra, Funasa e UFBA. A construção coletiva norteará as ações governamentais nos quilombos, possibilitando que trabalhos sejam feitos com base nas especificidades de cada local.
Com o diálogo sobre políticas públicas, ações de melhoria devem acontecer em quilombos como Mocambo, município de Seabra. Lá moram 550 pessoas, dentre elas Eliene Jesus, que conta a batalha diária da população. “Nosso principal problema é a água, temos que andar até o rio mais próximo com a lata d’água na cabeça pra tomar banho e comer”. De acordo com Eliene, na gestão passada, foi perfurado um poço artesiano, mas de lá nunca saiu uma gota de água. “Quando voltar desse encontro quero levar uma resposta boa para a minha comunidade, porque vão me cobrar”, afirma.
A cobrança que Eliene se refere foi incentivada pelo Secretário de Promoção da Igualdade, Luiz Alberto, na abertura do Encontro Quilombola.”Essa é a marca do nosso governo, investir em mecanismos como esse Encontro, que promovem a democracia para que a população possa tomar conhecimento dos seus papéis”. E se cobrar e discutir fazem parte do processo de construção democrática, tem mais quilombola na busca de respostas positivas.
Na platéia, Diolinda Silva e Lourivaldo Pereira estavam atentos a tudo. Eles têm em comum o fato de nascerem em território quilombola e os nomes de suas localidades fazerem alusão a fontes de recursos hídricos. Duas Lagoas e Riacho de Santana, respectivamente. O fato é que nesses lugares, há água, mas para chegar até ela a população enfrenta muitas dificuldades.
Aos 57 anos, Diolinda trabalha como agente de saúde e agricultora, tem 12 filhos, 11 netos. “Estou aqui porque sinto na pele o que o meu povo passa, vim mostrar a nossa realidade pra ver se muda alguma coisa”, disse. Lourivaldo preocupa-se com a falta de energia elétrica e a titulação das terras para as populações tradicionais, mas espera que o esforço que todos fizeram para participar do Encontro seja recompensado.
Encontro discute desenvolvimento sustentável das comunidades quilombolas
20/09/2007