A Fundação Pedro Calmon, através do Núcleo de Leitura, convidou escritores, poetas e editoras da Bahia para uma reunião, na manhã de ontem (14), no Palácio Rio Branco, quando se discutiu propostas para a política editorial do Estado. Entre os temas debatidos estavam o escasso mercado de publicação e circulação de livros na Bahia, incentivos à leitura e a VIII Bienal Internacional do Livro, que ocorrerá em abril, no Centro de Convenções da Bahia.
A reunião foi conduzida pelo diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro de Araújo, e pelo poeta e escritor Geraldo Maia, responsável pelo Núcleo de Leitura e pelas políticas da fundação para o estímulo à circulação de livros e literaturas como a poesia, o cordel e os repentes, entre outras manifestações literárias populares.
Os autores reclamaram das dificuldades enfrentadas pelos escritores baianos devido ao baixo índice de leitura no Estado e ao número reduzido de editoras. “Boa parte dos livros vendidos na Bahia vem de editoras do Sul do Brasil. E isso não é por falta de escritores, pois temos muitos e bons”, afirmou o escritor indígena Juvenal Payaya, representante da Editora Século XXI.
Para Payaya, o potencial do mercado editorial baiano ainda não foi revelado. “A sociedade precisa descobrir que o autor produz não só cultura, produz também riqueza, gera emprego e desenvolvimento”, disse.
Iniciativa
O escritor José Carlos Limeira destacou a importância do convite feito pela Fundação Pedro Calmon às pessoas envolvidas na produção e consumo deste bem cultural, que é o livro. Para o poeta, esta atitude revela “uma nova postura do Estado no acolhimento das demandas sociais, outrora relegadas a segundo plano”.
Limeira chama a atenção também para a falta de incentivos governamentais para a produção dos autores negros. “Não conheço nenhuma produção intelectual negra que tratasse da história e luta contra a opressão, que tenha recebido apoio do Estado. O Governo prefere financiar livros que estudam a cultura negra e não que sejam produzidos por negros. Obras nas quais o negro é ator e não autor”, revela.
Na avaliação do coordenador da reunião, o poeta Geraldo Maia, esse primeiro encontro foi muito positivo pela resposta dada pelos autores e editoras ao convite da Fundação Pedro Calmon. “Na reunião, ficou explícita a vontade de todos em resolver o problema do livro e da leitura. Todos concordam que a solução passa pela fomentação de novos leitores e esse é um compromisso desta nova gestão”.
Geraldo Maia destacou os programas de incentivo à leitura, elaborados pela Fundação Pedro Calmon e apresentados durante o encontro. Entre eles estão: o Círculo de Leitura das Bibliotecas, coordenado por bibliotecárias; os Pontos de Leitura, escolhidos através de editais públicos com financiamento a organizações, associações e entidades que promovam a leitura; a retomada do projeto Saveiros de Leitura, com difusão de livros por toda a Baía de Todos os Santos e o projeto Caminhos de Leitura, que reunirá escritores em caravanas pelas cidades do interior. Nos municípios serão realizados encontros, palestras, oficinas e apresentações artísticas, colocando o autor em contato com o público.
Projetos
Outro projeto de divulgação dos autores baianos está sendo discutido com o Instituto de Rádio-Difusão Educativa da Bahia (Irdeb) e integra a realização de um programa para exibição na TVE e na Rádio Educadora (TV Diler e Rádio Diler), que aborde temas relacionados à literatura da Bahia, como entrevistas com escritores, lançamentos de livros e funcionamento das bibliotecas, entre outros.
As primeiras ações da Fundação Pedro Calmon para estímulo à leitura ocorrerão já em março com as comemorações pelos 160 anos de nascimento do poeta Castro Alves e o centenário do cordelista Cuíca de Santo Amaro.
Além de saraus, apresentações musicais, teatrais e lançamento de livros, integram a programação uma caravana de escritores e poetas declamando textos de Castro Alves pelas bibliotecas de Salvador e um encontro de repentistas, emboladores e cantores de RAP em homenagem a Cuíca de Santo Amaro. As atividades ocorrerão em Salvador (Praça Castro Alves e Praça Municipal) e nas cidades de Cabaceiras do Paraguaçu e Castro Alves.