Exportações baianas chegam a US$ 507 milhões em janeiro

16/09/2007

A balança comercial do estado registrou superávit de US$ 114,2 milhões em janeiro, com exportações de US$ 507 milhões (0,76% abaixo do mesmo mês de 2006) e importações de US$ 392,8 milhões, com crescimento de 22,8%. O resultado das exportações deve-se à redução de 77,1% nas vendas de petróleo e derivados, já que na quase totalidade dos segmentos houve aumento expressivo dos embarques se comparados ao mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (27) pelo Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), vinculado à Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM).



A queda do preço do petróleo no mercado internacional, que recuou 30% nos últimos meses de 2006, afetou o ritmo de vendas do segmento neste início de ano, num cenário totalmente diverso do ocorrido há 12 meses, quando as cotações do produto bateram recordes seguidos. Em janeiro de 2007, contudo, os embarques físicos diminuíram 79,2%, causando impacto nos números totais das exportações baianas, em função do peso que a atividade exerce na pauta estadual.

Mesmo com a redução das exportações de petróleo e derivados, as vendas externas cresceram na maior parte dos segmentos, com destaque para pneus (322%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (330%), café (144%); petroquímicos (43,2%), minerais (38%), papel e celulose (22,8%), calçados (28%), automóveis (10%) e metalúrgicos (8,7%).



Economia Mundial



As vendas externas continuam avançando a taxas significativas para boa parcela dos segmentos exportadores baianos. O resultado se deve à expansão da economia mundial, evidenciada pelo crescimento das vendas de produtos manufaturados (muito mais afetadas pela demanda externa do que pelo câmbio) e pela valorização do preço de produtos petroquímicos, do cobre, café, celulose, ouro, sisal, frutas e fumo, dentre os mais importantes.



Na avaliação técnica do Promo, o cenário do mercado indica que o ‘superciclo’ das commodities não acabou e que os preços dessas matérias-primas tendem a subir ainda mais no segundo semestre, puxados pela valorização dos metais preciosos e dos produtos agrícolas num momento de aceleração do crescimento da economia mundial.



Já os fabricantes de manufaturados, como material elétrico, calçados, móveis e automóveis, garantiram a alta dos embarques graças à competitividade e à diversificação de produtos e destinos, que compensaram a valorização cambial. Os preços atrativos dos produtos petroquímicos e o ritmo forte da economia mundial também reforçaram as posições de venda, principalmente para os maiores consumidores de manufaturados baianos: o mercado Nafta e a América Latina.



Os principais produtos exportados pela Bahia em janeiro foram automóveis, (US$ 71,8 milhões), celulose (US$ 53,7 milhões), catodos de cobre (US$ 45,4 milhões) e farelo de soja (US$ 22,5 milhões). Os principais mercados compradores foram Estados Unidos (20% das compras), Argentina (13%) e México (10%).



A alta dos preços tornou-se o maior fator de sustentação das exportações baianas e também brasileiras, ante um volume físico declinante, impactado pela valorização cambial. Com o mercado internacional comprador, medidas e políticas que aumentem a competitividade com redução de impostos, juros menores e melhorias na infra-estrutura poderão prolongar bastante o animado fôlego exportador, segundo análise do Promo.



Importações



As importações tiveram forte impulso nas áreas de bens de consumo e de bens de capital (máquinas e equipamentos) em janeiro. O aumento de 60% nas compras de bens de capital é um reflexo do crescimento mais forte da economia e indica que as empresas continuam a investir para ampliar a capacidade instalada.



A queda contínua do dólar e a necessidade de algumas empresas, sobretudo as exportadoras, de buscar alternativas para não comprometer seus negócios a médio e longo prazo, também contribuem para o incremento das importações. Nos segmentos de eletrônicos, automóveis e calçados há casos de empresas que estão optando por aumentar o índice de insumos importados nos produtos destinados ao mercado externo, como forma de garantir a competitividade.



Os principais produtos importados pela Bahia, em janeiro, foram minério de cobre (US$ 118,6 milhões), nafta (US$ 24,6 milhões), cacau (US$ 20 milhões) e automóveis (US$ 13,4 milhões). Os principais mercados de importação do estado foram Chile (cobre, com 31% de participação), Argentina (16%), Estados Unidos (10%) e China (7,6%).