Faz Atleta viabiliza destaque de esportistas baianos no cenário nacional

16/09/2007

Garra, talento e superação já não são mais os elementos básicos para um atleta. A tudo isso deve-se juntar aperfeiçoamento técnico, suplementos, bons equipamentos e muito treino. Esse reforço tem um custo, muitas vezes, alto demais para o esportista e sua família bancarem sozinhos. Por isso, antes de garantir um lugar no pódium, muitos deles precisam se esforçar para conquistar um patrocinador. Na Bahia, as empresas são estimuladas a apoiar o esporte através do Faz Atleta, um programa de incentivo fiscal do governo estadual, que somente este ano tem uma cota de R$ 3,3 milhões.


Esportistas que contam com o apoio do programa têm conseguido grandes resultados para o estado. O nadador Luiz Rogério Arapiraca, que garantiu vaga nos Jogos Pan-Americanos que serão disputados no Rio de Janeiro em julho deste ano, foi patrocinado pelas Lojas Insinuante, através do programa, durante três anos. Agora ele pertence à equipe da Universidade Santa Cecília de Santos (Unisanta), de Santos (SP). Arapiraca conseguiu bater o recorde da prova seletiva nos 1.500 metros, estilo livre, com um tempo de 15min29s01.


O patrocínio de outro nadador, Allan Mamédio, que disputa no próximo dia 12 uma vaga no Pan 2007, também se dá através do Faz Atleta. Praticante do esporte desde os sete anos, Allan Mamédio sempre disputou competições regionais e nacionais. O destaque no país veio após o patrocínio dos Colchões Ortobom, iniciado em 2005. A partir daquele ano, o desempenho do atleta foi crescente.


Em 2004, ele havia ficado na sexta colocação no Campeonato Brasileiro de Natação, no ano seguinte, saltou para o quarto lugar e em 2006 foi vice-campeão. Atualmente, ele é o campeão Sul-americano na Travessia de cinco quilômetros. “Meu desempenho evoluiu depois que passei a ter patrocinador. Só com o apoio da minha família não teria condições de usar os melhores suplementos e contar com o apoio do meu técnico durante as competições fora da Bahia”, disse Mamédio.


Para o treinador de Rogério Arapiraca, Luís Rogério, esse acompanhamento é importante para a vitória. “O treinador tem a capacidade de avaliar as condições da prova, do atleta e dar a ele uma estratégia para vencer, mas sem patrocínio, nem sempre é possível cobrir os custos com viagem e hospedagem da equipe”, disse.


Luís Rogério, que é também pai do nadador, aponta o apoio do Faz Atleta como essencial para o filho se tornar um atleta de nível olímpico. “Quanto mais alto o nível, mais caro fica seu preparo. Sem patrocínio seria impossível chegar tão longe”, afirmou. Além dos treinos, Rogério necessita do acompanhamento de nutricionista, psicólogo, sessões de massagem, aulas de Pilates, suplementos e material de ponta.


Outras categorias


Apesar do destaque na natação, a Bahia tem conquistado importantes títulos em diversas categorias esportivas. É de um baiano o título do Campeonato Europeu de jiu-jitsu – Rogério Luna acumula ainda a terceira colocação no Campeonato Mundial. Patrocinado pela Dismel, desde 2004, Rogério acredita que o patrocínio foi seu grande incentivador. “Sem patrocínio, só podia treinar à noite. Nos outros turnos, eu dava aula de jiu-jitsu e trabalhava. Agora dedico seis horas diárias ao treino”, contou.


O lutador, que é casado e tem um filho, trabalha também como analista de suporte numa empresa de informática. O patrocínio possibilita que ele atue nesta atividade em apenas um turno e dedique parte da manhã e a noite ao treinamento. “O patrocínio permite que eu conte com o acompanhamento de um ortopedista, use bons suplementos e que eu viaje para outros países para competir”, disse.


O campeão tem planos de, junto com seu mestre Alex Cintra, dar aulas para crianças carentes, mas para isso ainda aguarda incentivo e parceria de alguma empresa. “O esporte é importante na formação dos jovens. Falta a algumas empresas essa visão social do esporte”, disse.


Foi graças ao patrocínio obtido através do Faz Atleta que Manuela Cunha pôde participar de quase todas as competições de Hipismo em 2005. Nesse ano, ela trouxe para a Bahia o primeiro lugar no Campeonato Brasileiro de Hipismo, categoria juvenil. No ano seguinte, conquistou segundo lugar no Sul-americano e foi campeão do ranking nacional.


“Com o patrocínio, a gente consegue ir para competições de alto nível”, destacou Manuela. Apoiar um atleta campeão significa colocar sua marca no podium, o que lhe confere visibilidade e status. “Tem também a questão da responsabilidade social, uma empresa que apóia atletas mostra seu compromisso com a sociedade”, disse.


Atualmente sem patrocínio, Manuela mantém o ritmo dos treinos, mas vai diminuir a participação em competições porque a maioria das provas acontece no sul do país. Após conquistar o Sul-americano saltando obstáculos de 1,30 metros de altura, ela treina agora para as provas de 1,40 metros e já sente a necessidade de adquirir um cavalo mais resistente.


Modalidade esportiva cara e pouco difundida no país, o hipismo enfrenta dificuldade de patrocínio. Além dos gastos com o atleta, há ainda os custos com o cavalo. Os animais também necessitam de alimentação e cuidados especiais, o que inclui veterinário e estabulagem.


“O FazAtleta é fundamental na revelação de jovens valores do esporte baiano, que podem representar a Bahia em competições nacionais e internacionais. Ele beneficia atletas, eventos e construções de equipamentos que se enquadram na categoria de esporte amador olímpico e para-olímpico, desenvolvendo as aptidões e os talentos esportivos"", afirmou Raimundo Nonato Tavares da Silva, diretor-deral da Sudesb, autarquia vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego e Renda (Setre).


Histórico do programa


Criado em 1999, o Programa Estadual de Incentivo ao Esporte Amador Olímpico e Para-olímpico (Faz Atleta) concede abatimento no Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços (ICMS), à empresa, situada na Bahia, que apoiar financeiramente projetos esportivos, aprovados pela Comissão Gerenciadora do Programa.


O Estado estipulou uma cota de R$ 3,3 milhões para o programa. Cada empresa pode abater por mês até 5% do valor total do ICMS arrecadado. A renúncia fiscal do Estado pode chegar até a 80% do valor do patrocínio. “Em um projeto com valor total de R$ 100 mil, por exemplo, a contribuição do patrocinador com recursos próprios é de R$ 20 mil, os outros R$ 80 mil, serão relativos ao abatimento do ICMS”, explicou o secretário-executivo do programa, Edgar Silveira.


Edgar Silveira também explicou os critérios do programa. “Há uma gama enorme de modalidades e categorias, por isso procuramos estimular aqueles que possuem potencial para ocupar as primeiras colocações”, disse. O atleta deve ser filiado à federação baiana da sua modalidade e pertencer ao ranking regional, estadual, nacional, pan-americano/sul-americano, mundial/ olímpico ou paraolímpico.


Nadadora treina para o PAN na Sudesb


Nayara Ledoux Ribeiro, outra baiana já confirmada nos Jogos Pan-Americanos, de 13 a 29 de julho, no Rio de Janeiro, encontrou nas piscinas da Vila Olímpica da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), o ponto de partida para aprimorar a sua forma e a sua técnica e garantir vaga na competição. Ela treinou, diariamente, nas piscinas da Sudesb orientada pelo técnico Guilherme Argolo. Representando a Universidade Santa Cecília de Santos (Unisanta), da cidade de Santos (SP), a nadadora de 22 anos viu-se em dificuldades, quando seu ex-clube negou-se a ceder as suas piscinas para os treinamentos.


O acolhimento pela Sudesb foi imediato. Após os primeiros contatos mantidos com o diretor Geral, Raimundo Nonato Tavares da Silva, o Bobô, a baiana teve as portas abertas da Sudesb para treinar o horário que bem desejasse.


Nayara começou a sua carreira muito cedo. Aos 14 anos, com o tempo de 8min48s12 bateu o recorde sul-americano e brasileiro e confirmou presença no Pan-Americano de Winnipeg, no Canadá, derrubando a marca de 8min51s95, obtida por Patrícia Amorim nas Olimpíadas de Seul, em 88.


Especialista em provas longas, Nayara já participou de dois Jogos Pan-Americanos e gostou muito. “A união da seleção é intensa e o convívio muito legal entre todos os atletas”, finalizou.