A possibilidade de interação entre as diversas linguagens artísticas sob os cuidados da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) - Artes Visuais, Dança, Música e Teatro -, sem deixar de atender as especificidades de cada uma delas, é uma das mudanças que a direção da entidade busca implementar. Uma equipe multidisciplinar está trabalhando na elaboração de políticas públicas com esta finalidade.
Alda Valéria (Teatro), Ayrson Heráclito (Artes Visuais), Gilberto Monte (Música), Lúcia Matos (Dança) e Luciana Vasconcelos (Programas Especiais), que vão assumir as novas diretorias, serão também responsáveis por estabelecer uma comunicação mais direta com a sociedade civil. O primeiro passo para iniciar este diálogo vai acontecer nos Encontros Setoriais, realizados por linguagem, segunda (12) e terça-feira (13), na Sala do Coro do TCA, com a presença da diretora da Funceb, Gica Nussbaumer, e do secretário da Cultura, Márcio Meirelles.
Segunda-feira acontece os encontros setoriais de Artes Visuais, às 10h, e de Música, às 15h30; e terça, os de Dança, às 10h, e de Teatro, às 15h30. O evento é aberto e nele serão destacadas as principais diretrizes que vão nortear as políticas culturais do estado. Uma delas, é a preocupação de mudar a concepção do Estado como “executor” de projetos, para “fomentador” de políticas. Isto não significa deixar de dar verba, o Estado pode estar à frente de programas e linhas de ação a serem desenvolvidas em parceria com a sociedade.
Momento de Avaliação
A avaliação dos projetos, ações e equipamentos culturais da Fundação já foi iniciada pela equipe, que levantou alguns pontos importantes, como a existência de ações sobrepostas em diferentes projetos, a necessidade de se repensar os editais de fomento à cultura e a importância da criação de uma política de ocupação dos espaços culturais da cidade e do interior.
“A nossa intenção é justamente ouvir as pessoas e, na medida do possível, incorporar suas sugestões nas políticas da instituição. Por isso, a presença de representantes das diversas linguagens nesses encontros setoriais é muito importante”, afirma Gica Nussbaumer.
Ayrson Heráclito ressalta que o convite é para uma parceria, para um contato mais direto entre governo e a classe artística. “Acho que os Encontros podem ser uma grande oportunidade para discutir questões como os editais, por exemplo, que estão sendo avaliados internamente, mas que precisam passar por uma discussão mais ampla”.
Os projetos realizados até então pela Fundação também estão sendo avaliados, assim como a dinamização dos centros culturais ligados à instituição. Luciana Vasconcelos está à frente desta avaliação. A proposta é que áreas pouco favorecidas nos anos anteriores, como música, passem a ter maior atenção.
Ações transversais
“Vamos trabalhar com a horizontalidade, contemplando também ações transversais, pois existem questões comuns a todos os segmentos, como as ligadas à memória, por exemplo”, destaca Lúcia Matos. Para Gilberto Monte, isto se torna possível pelo perfil da equipe da Fundação: “Apesar do pouco tempo, já estamos trabalhando juntos e tendo bastante diálogo, e esta forma de atuar pode proporcionar uma nova maneira de articular as linguagens e de realizar as ações transversais de forma consistente”.
Como uma forma de reforçar a tendência à diversidade, Lúcia Matos ressalta ainda a importância da representação dos mais diversos segmentos nos Encontros: “A expectativa é que além de artistas e produtores, estejam presentes às discussões representantes de grupos amadores, grupos de rua, projetos comunitários, de manifestações populares...”. “Seria interessante que as pessoas trouxessem propostas concretas e não focassem apenas no diagnóstico do que está ruim. Esta é uma gestão que está aberta a construir junto”, frisa Alda Valéria.
Existe ainda a expectativa que os Encontros sejam um espaço para organização da própria comunidade artística, favorecendo a articulação em torno da Conferência Estadual de Cultura, que será realizada em junho, após uma série de conferências municipais e regionais.