Representantes do governo e da sociedade iniciam o debate sobre os novos rumos para o Centro Histórico de Salvador nesta quarta-feira (17), às 18 horas, em mesa redonda no Teatro Sesc Senac, no Pelourinho. Estão confirmadas as presenças do diretor geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), Frederico Mendonça, da presidente da Associação de Moradores do Centro Histórico, Gecilda Melo, do presidente da Fundação Gregório de Mattos, Paulo Costa Lima, e do representante na Bahia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Eugênio Lins, além das autoras do livro Centro da Cultura de Salvador, Carlotta Gottschall e Mariely Santana.
Logo após o debate, acontece o lançamento do livro, que traz estudo inédito sobre a região, realizado em parceria com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria Estadual de Planejamento, e com o Centro de Estudos da Arquitetura na Bahia (Faculdade de Arquitetura da Ufba). O evento é aberto ao público.
O Secretário Márcio Meirelles, em seu primeiro ato público na Comunidade Vila Esperança (ex-Rocinha), Pelourinho, disse que, na reforma, o Centro Histórico foi pautado somente “como equipamento cultural e cenografia” e que a proposta agora é uma nova concepção de desenvolvimento para a região, em articulação com a municipalidade, outras secretarias do Estado, o Iphan, a academia e os moradores. Ele garantiu que o plano diretor para revitalização do Centro Histórico de Salvador vai ser amplamente discutido com a sociedade.
Para o diretor-geral do Ipac, Frederico Mendonça, é fundamental pensar o Centro Histórico como parte da cidade e uma parte em que a ocupação das encostas da Vila Nova Esperança, do Pilar e de Santo Antonio mostram contradições sociais muito fortes numa área de patrimônio da humanidade, o que induz a uma ação articulada com as três esferas de poder público e a participação indispensável das ONGs e organizações comunitárias. Segundo ele, a prioridade agora é discutir e traçar estratégias de ação considerando o patrimônio, a conservação e a inclusão social.
O estudo realizado por Carlotta Gottschall e Mariely Santana traz subsídios para o debate sobre os novos rumos para o Centro Histórico de Salvador. Apresenta uma abordagem metodológica pautada nas diferentes características de ocupação no local e pelo recorte territorial que insere o Pelourinho no contexto do Centro Histórico, área que vai do São Bento ao Santo Antônio Além do Carmo – sem ignorar a população de mais de 13 mil pessoas que residem nessa área. Coloca, ainda, a região em diálogo com o Antigo Centro de Salvador – da Vitória ao Barbalho – e outras áreas da cidade.
Economia da cultura
O estudo demonstra em números a nova fase pela qual vem passando o Centro Histórico, apontando as carências e oportunidades para criação de políticas sócio-culturais e econômicas. Entre os assuntos, a Sondagem da Ocupação no Centro Histórico de Salvador, realizada especialmente para a publicação, chama atenção para a subutilização da maior concentração de equipamentos culturais do Estado, tendo em vista que lá estão 18 Igrejas, 15 museus, cinco cinemas e teatros, 10 espaços de cultura, cinco bibliotecas e 14 espaços de outras naturezas. Revela ainda a forte presença de jovens (40% dos moradores têm até 24 anos), o surgimento e a atuação espontânea de ONGs, especialmente que trabalham com arte-educação, e a tendência de retorno do Centro como local de moradia.
Na década de 1970, os bairros mais populosos de Salvador ficavam na região do Centro Histórico e entorno, que concentravam 12% dos habitantes da capital. Trinta anos depois, em 2000, a área perdeu 54 mil moradores, passando a reunir 2,8% da população da cidade (IBGE, 2000). “Hoje, a fase mais crítica de saída dos moradores, assim como de negação dos empresários em investir no centro tradicional de Salvador, parece ter passado. A tendência atual no Brasil e em diversos outros países é de retorno e reanimação dos antigos centros”, diz Carlota Gottschall, economista e pesquisadora em cultura.