Governo investe R$ 4 milhões em infra-estrutura para pesquisa científica

16/09/2007

R$ 4 milhões para investimento em 31 projetos de pesquisa científica estão disponíveis, este ano, pelo edital de infra-estrutura da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). Hoje (3), os contemplados nesta edição estiveram na Fapesb para assinar os Termos de Outorga, que formalizam o apoio da Fundação aos pesquisadores. Dos 31 projetos, nove são para a implementação e o fortalecimento de doutorados, e os demais para pesquisa de doutores ligados a universidades e centros tecnológicos da Bahia.


O edital integra o Programa de Infra-estrutura, ao lado do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), que apóia pesquisadores de comprovada competência e com reputação técnico-científica no meio acadêmico. Também é parte integrante do Programa de Infra-estrutura o Programa Primeiros Projetos para Jovens Pesquisadores (PPP), que financia núcleos de pesquisa coordenados por jovens pesquisadores, ou seja, que tenham concluído o Doutorado há até 10 anos. Os recursos vão equipar laboratórios, biotérios e bibliotecas.


Entre os pesquisadores contemplados está o vice-coordenador do Programa de Pós-graduação em Física da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Frederico Prudente, que usará os recursos do edital para implementar o Doutorado na área, que será o primeiro do estado. Os recursos obtidos vão ser usados para a compra de lasers, sistema de vácuo e 14 computadores, entre outros equipamentos, para serem usados nos laboratórios de Propriedades Óticas e de Fotoacústica.


Dez novos doutores


Com o novo curso serão formados, anualmente, 10 novos doutores em Física na Bahia. ""Essa mão-de-obra altamente qualificada vai contribuir para o ensino de Graduação em Física nas demais universidades onde a disciplina é oferecida. Além disso, vai poder dar continuidade ao desenvolvimento de pesquisas relevantes para a resolução de problemas locais como o uso de energia solar e a escassez de chuvas no sertão"", explica Prudente. Outro benefício do curso consiste na manutenção dos doutores baianos no seu estado de origem, uma vez que eram obrigados a cursar o Doutorado em outras regiões do país.


O edital de infra-estrutura também contemplou a engenheira química Elba dos Santos, da Universidade Salvador (Unifacs), que solicitou um computador e um freezer, entre outros equipamentos, para estudar a remoção de metais pesados presentes no combustível, como ferro, chumbo e níquel. Alguns estudos afirmam que esses metais produzem goma nos tanques, prejudicando o desempenho do automóvel, já que a goma pode entupir os bicos injetores e promover falhas no motor. ""Com o recurso que conseguimos no edital, vamos ter melhores condições de estudar os materiais mais eficazes para a retirada desses metais, que costumam se misturar ao combustível durante o transporte e o armazenamento, contaminando-o"", explica Elba.


Recursos mapeados


Já os recursos naturais abundantes na Baía de Todos os Santos vão poder ser mapeados quanto à sua localização a partir dos equipamentos que vão ser adquiridos pelo projeto realizado pela Ufba em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), entre eles um analisador de partículas. ""Esses mapas vão ser muito úteis para entidades que atuem na área, seja com enfoque na exploração dos recursos ou na preservação ambiental"", afirma José Maria Domingues, geólogo responsável pela pesquisa.


As Ciências Agrárias também foram contempladas no edital. Na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), equipamentos como o porômetro (responsável por medir a transpiração de folhas) e o reflectômetro (medidor da umidade do solo) vão ajudar pesquisadores a fazer um melhor manejo da água para as culturas irrigadas do semi-árido baiano. ""Inicialmente vão ser beneficiadas as culturas de laranja, limão, mamão e manga"", explica o engenheiro agrícola Eugênio Coelho.


O edital de infra-estrutura é lançado anualmente, sempre no segundo semestre. Desde 2003, quando foi criado, o edital já investiu R$ 17 milhões. A solicitação dos recursos pode ser feita por cientistas ligados a grupos de pesquisa devidamente cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculados a instituições de ensino superior ou centros tecnológicos e de pesquisa do estado da Bahia, que tanto podem ser da iniciativa pública quanto privada.