GT do Cacau aponta alternativas para o reaquecimento da economia do sul da Bahia

16/09/2007

No próximo dia 28, o Grupo de Trabalho do Plano Executivo para Desenvolvimento e Diversificação do Agronegócio da Região Cacaueira do Estado da Bahia, criado pelo Ministério da Agricultura, reúne-se para tratar do endividamento dos cacauicultores. A questão das dívidas foi um dos temas discutidos na semana passada, quando o grupo encerrou a primeira etapa da fase de avaliação e de elaboração de um documento que conterá um plano viável que permita a retomada da atividade econômica da região, afetada por uma crise que já dura duas décadas.


Na oportunidade, foram definidas metas para reverter o processo de desagregação social, econômica e ambiental do sul da Bahia, como a diversificação do agronegócio e a verticalização da cadeia produtiva do cacau. “Não queremos vender só cacau, mas também o chocolate, agregando mais valor à produção. E precisamos diversificar a economia da região com culturas como o dendê, usado na indústria do biodiesel, e a seringa, de onde se extrai o látex para produção de pneus, que já são fabricados na Bahia”, afirmou o secretário da Agricultura, Geraldo Simões, que acompanhou os trabalhos do grupo ao longo da semana.


Segundo ele, a atuação do grupo traz novo ânimo para a região pela qualidade das discussões e dos assuntos tratados. “O grupo foi criado graças do empenho do governador Jaques Wagner, quando ainda estava no ministério do primeiro mandato do presidente Lula, e o resultado que estamos vendo agora é muito satisfatório”.


Formado com o objetivo de identificar e apontar medidas concretas para o reaquecimento da economia da região sul, o grupo de trabalho é integrado por representantes dos ministérios e das secretarias estaduais da Agricultura, da Fazenda e do Planejamento, da Ceplac, da Câmara Setorial do Cacau, da Federação da Agricultura do Estado da Bahia, da Associação Brasileira de Indústrias de Cacau, do BNDES e dos bancos do Brasil e do Nordeste.


Os integrantes do GT defendem a diversificação do agronegócio regional com prioridade para o cultivo de seringueira, pupunha, dendê, flores tropicais e plantas ornamentais, apicultura, aqüicultura e fruticultura,. Para tanto, foi destacada a importância do aperfeiçoamento dos servidores de pesquisa agropecuária e assistência técnica e extensão rural através da atualização metodológica, capacitação dos técnicos e adoção em larga escala de Unidades de Testes de Demonstração (UTD) nas comunidades rurais.


Além da diversificação do agronegócio e do equacionamento da dívida dos produtores dentro de condições mais justas, estão entre as prioridades listadas no resumo executivo do GT, o aumento da competitividade da lavoura cacaueira, através de uso de novas tecnologias, a verticalização da produção, a ampliação do sistema de consórcio com outras culturas e o aperfeiçoamento da pesquisa agropecuária e da assistência técnica e extensão rural.


Infra-estrutura


O grupo também considera fundamental a melhoria da infra-estrutura e serviços de apoio ao agronegócio, como estradas vicinais, portos, dinamização da saúde, educação e projetos habitacionais. E ainda o fomento ao desenvolvimento do turismo na região, inclusive o rural; promoção da regularização fundiária e garantia da estabilidade no campo; estímulo ao associativo e cooperativismo e ajuste de políticas públicas às demandas da região.


“O endividamento é um dos pontos a serem tratados, mas nosso trabalho é, principalmente, implementar medidas que diversifiquem e reaqueçam a economia da região”, disse o secretário Geraldo Simões, adiantando que o documento resultante da primeira rodada de reuniões do grupo será entregue ao ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto.