A inauguração do Centro de Desenvolvimento e Capacitação Tecnológica Agro-industrial Euclides Teixeira Neto marca, nesta quarta-feira (28), as comemorações pelos 50 anos de criação da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que atua em seis estado brasileiros: Bahia, Espírito Santo, Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso.
Criado com o objetivo de desenvolver tecnologias de modo a fortalecer o aproveitamento de matérias-primas da Mata Atlântica, a partir do conceito de conservadorismo, o novo centro representou um investimento total em torno de R$ 800 mil e foi possível graças a uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e Finep.
A primeira etapa da unidade – que está instalada na sede regional da Ceplac, no eixo Itabuna-Ilhéus - conta com duas salas de aula para palestras e cursos, além de toda uma estrutura que visa testar possibilidades de aproveitamento do cacau e de outros produtos do sul da Bahia. A idéia é agregar valor à fabricação do chocolate, acrescentando outros frutos ao processo e diversificando os produtos finais, mas sempre tendo como matéria-prima principal a amêndoa do cacau.
“Nossa missão é descobrir nichos de mercado para a região, criando chocolates diferentes dos que já existem”, disse o chefe da área de Tecnologia e Engenharia Agrícola da Ceplac, Raimundo Mororó. Algumas alternativas já foram testadas e apresentaram resultados satisfatórios. “As pesquisas poderão ser aproveitadas não apenas pelos agricultores como por cooperativas e assentamentos, de maneira rentável” ressaltou Mororó.
A conclusão da segunda etapa do Centro de Desenvolvimento – onde serão testadas técnicas de aproveitamento de outros produtos, como cajá, graviola, maracujá, mamão e abacaxi está prevista para maio. A idéia é descobrir as melhores combinações para cada matéria-prima, a fim de encontrar resultados inovadores e viáveis para o mercado. Além disso, o centro conta com um projeto de implantação de uma incubadora, para ajudar aos agricultores no desenvolvimento de novos projetos. O grande desafio agora é a busca por recursos para instalação de mais este setor.
A expectativa é de resultados a médio e longo prazos. “Apesar da crise, o cacau continua sendo importante para o desenvolvimento sustentável da região, por suas características ambientais e econômicas, agora aliado a outras matérias-primas originárias da Mata Atlântica. Estamos somando esforços para que este seja o espaço onde novas alternativas sejam encontradas para os agricultores, de forma a fortalecer economicamente seus produtos com sustentabilidade.”, disse Mororó.
Lula anuncia projetos
O incentivo para o cacau na Bahia e nas demais regiões onde está inserido deve ser anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como parte das comemorações dos 50 anos da Ceplac. “O sul da Bahia tem na Ceplac um instrumento fundamental para o seu desenvolvimento. O cacau tem uma importância não apenas econômica, mas também histórica e cultural para a Bahia e o Brasil.”, disse Lula.
Para o governador da Bahia, Jaques Wagner, a proposta do seu governo de proporcionar oportunidades para todos os baianos passa pela consolidação da Ceplac como uma agência de desenvolvimento regional, com foco na pesquisa, difusão de novas tecnologias e ensino profissionalizante. “A Ceplac tem um papel fundamental no processo de retomada do desenvolvimento da região sul do estado e contará com o nosso apoio no sentido de ampliar suas ações através da consolidação da cadeia produtiva do cacau e da diversificação de sua produção”, garantiu.
O secretário de Agricultura da Bahia, Geraldo Simões – que é técnico agrícola licenciado da Ceplac – considera decisivo o apoio do presidente Lula e do governador Wagner para intensificar a atuação do órgão na diversificação agropecuária, consolidação da agroindústria e incentivo à agricultura familiar. “Queremos uma Ceplac fortalecida, com autonomia financeira e agilidade na gestão de suas ações, contribuindo para que o sul da Bahia volte a ter um papel de destaque e garanta uma vida digna para sua população”, afirmou.
Simões destacou a criação de um grupo de trabalho que vai elaborar um Plano Executivo para Aceleração do Desenvolvimento e Diversificação do Agronegócio na Região Cacaueira da Bahia. Criado pelo ministro da Agricultura, Luis Carlos Pinto, o grupo terá 60 dias para definir o plano. A primeira reunião está prevista para 12 de março, em Brasília.
Programação
A comemoração dos 50 anos da Ceplac deve contar com a presença dos ministros da Agricultura, Luis Carlos Guedes Pinto, e do Desenvolvimento Agrário Guilherme Cassel, do governador da Bahia, Jaques Wagner, e secretários estaduais. A programação será aberta às 8h30, com a inauguração do Memorial 50 Anos e obras de recuperação da infra-estrutura predial e rodoviária da sede e unidades operativas, entrega de veículos e equipamentos de informática, plantio de árvores e visita ao Museu José Haroldo de Castro Vieira, onde haverá a exibição do primeiro veículo de comunicação de massa utilizado pela Ceplac. Em seguida, haverá visita a áreas de sistemas agroflorestais.
Às 11h, haverá a apresentação do Coral dos Servidores, lançamento do selo comemorativo, entrega de troféus e lançamento dos livros Manejo Integrado de Rhynchophorus palmarum L. no Agrossistema do Dendezeiro no Estado da Bahia e Ciência e Tecnologia e Manejo do Cacaueiro e de Novos Clones de Cacau, Seringueira e Nova Variedade de Mandioca, Desenvolvidos pelo Cepec.
Para o superintendente regional da Ceplac, Geraldo Landim, “trata-se de um momento histórico, que coincide com a retomada do órgão como agente de desenvolvimento regional”. Ele destacou o papel na instituição na área de pesquisa e incentivo à agregação de valor ao cacau e outros produtos sul-baianos, através da agroindústria e do desenvolvimento sustentável, que possibilita a atividade econômica com a preservação do meio-ambiente.
Perfil
A Ceplac foi criada em fevereiro de 1957 e apresenta um modelo de atuação integrada de desenvolvimento de pesquisa, extensão rural e ensino agrícola. Devido ao seu trabalho, foi considerada, durante três décadas, instituição-modelo na agricultura brasileira. Para o presidente Lula, “valorizar a Ceplac é garantir o desenvolvimento sustentável, que concilia a atividade econômica com a conservação ambiental, resultando na melhoria da qualidade de vida”.
No momento, a busca da autonomia administrativa e financeira da Ceplac é uma das metas dos seus dirigentes e das lideranças agrícolas do sul baiano. “O processo de institucionalização do órgão, em tramitação no Ministério do Planejamento, conta com o apoio do governador Jaques Wagner e de lideranças políticas do Pará, Rondônia, Amazônia e Espírito Santo, no sentido de fazer gestões para que o mesmo seja encaminhado o mais rápido possível à Casa Civil”, informou o diretor-geral do órgão, Gustavo Moura.
Ele disse que, com a institucionalização – antiga reivindicação dos produtores de cacau da Bahia– a Ceplac terá uma definição jurídica. “A institucionalizarão vai trazer autonomia administrativa e financeira ao órgão para a realização de convênios, com aporte de recursos nacionais e estrangeiros”, falou.
Já o ministro da Agricultura lembrou que, nas últimas cinco décadas o órgão vem acumulando inúmeras conquistas. “A Ceplac se mostra indispensável ao desenvolvimento de atividades agroeconômicas sustentáveis e à preservação dos fragmentos florestais remanescentes nos biomas brasileiros da Mata Atlântica e da Floresta Amazônica”. Além da difusão de tecnologias, promoção da agroindústria do cacau e das ações de controle de doenças e pragas do cacaueiro ela veio aperfeiçoando gradativamente o desenvolvimento rural sustentável nas regiões produtoras .