Interiorizar as ações para garantir a proteção e a manutenção de bens culturais no Estado é uma das principais metas do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), informou, hoje (26), em coletiva à imprensa, o diretor da entidade, Frederico Mendonça. Segundo ele, do total de 205 solicitações de salvaguarda de patrimônio material e imaterial, 30% ainda não foram atendidas, mais da metade delas localizada no interior, a exemplo do cais do porto de Canavieiras, cujo pedido de tombamento foi feito há 12 anos.
Mendonça alerta que o trabalho vai exigir a articulação do instituto junto aos poderes locais, secretarias do governo e outros órgãos, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). É o caso por exemplo das cidades de Cachoeira, Lençóis e Salvador, que possuem grandes áreas urbanas tombadas pelo governo federal e estão sendo beneficiadas com intervenções do Programa Monumenta, do Ministério da Cultura.
O desafio é fazer com que os comitês gestores - formados por representantes do poder público e da sociedade civil - que respondem pela administração de um fundo de preservação, funcionem efetivamente. “Em alguns municípios, o comitê foi instituído, mas só do ponto de vista legal, sem nenhuma atuação na prática”, afirmou Mendonça.
As parcerias institucionais permitirão, segundo ele, fazer um trabalho de educação patrimonial e a capacitação técnica dos gestores locais. “Não adianta tombar, recuperar e depois assistir a depredação do patrimônio. Ainda há uma mentalidade de que quem deve preservar e manter os imóveis restaurados é apenas o órgão de preservação, mas o patrimônio é do município e da comunidade e todos devem ser co-responsáveis”.
O tratamento que será dado ao Museu Vanderlei Pinho, situado numa área de cem hectares do Engenho da Freguesia, no Recôncavo, ilustra bem a filosofia do trabalho a ser desenvolvido. A principio, o monumento receberá R$500 mil em investimento privado para obras emergenciais, mas a intenção é desenvolver parcerias com diversas prefeituras e criar uma espécie consorcio intermunicipal com os empresários que usufruem do Porto de Aratu e com a Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial da Bahia (Sudic).
É na base da parceria e da co-responsabilidade que também deve atuar a Diretoria de Ações Culturais do Ipac, responsável por ações culturais nos diversos espaços do Centro Histórico. O novo perfil culminou com a mudança do nome do Projeto Pelourinho Dia & Noite para Pelourinho Cultura & Arte. O modelo anterior, na opinião do diretor, não percebia o local como bairro de Salvador, mas como espaço para realização de shows.
Ele explicou que um novo modelo está sendo pensado e discutido com todos os envolvidos com o local, como comerciantes, ambulantes, ONGs, fundações e moradores. As mudanças passam pela discussão das atividades culturais e pelo financiamento dos eventos, que prevê o aluguel dos espaços, e não mais a cessão nos casos de shows comerciais.