Três dias após o encaminhamento ao Ministério Público (MP) do inquérito policial que investigou o assassinato do recruta da Marinha Edivandro de Jesus Pereira, ocorrido em 26 de fevereiro no bairro do Cabula, a promotora Isabel Adelaide Moura denunciou hoje (30) o tenente PM Diego Pestana Guerreiro, o sargento PM Arílson Marques de Araújo e o soldado PM Edevaldo Bispo dos Santos por homicídio duplamente qualificado, além de tentativa de homicídio duplamente qualificada contra Ricardo Santos Mercês e Marcelo Alexandrino Souza – companheiros de Edivandro no momento dos crimes.
A denúncia do MP, com o inquérito anexo, será encaminhada a uma das varas do Júri, cabendo ao juiz aceitá-la ou não. A promotora, que coordena o Grupo de Atuação Especial para o Controle Externo da Atividade Policial, acompanhou o relatório do delegado Sérgio Sotero, titular da 11ª CP, remetido no último dia 27 à Central de Inquéritos, mas agravou o indiciamento, denunciando os PMs por tentativa de homicídio duplamente qualificada contra os amigos de Edivandro.
O Ministério Público também entendeu que o recruta foi assassinado pelo sargento - tendo como co-autores o tenente e o soldado - por motivo fútil, sendo atingido pelas costas sem nenhuma chance de defesa, como enfatizou o delegado Sotero no inquérito, denunciando-os por homicídio duplamente qualificado. “No laudo do Departamento de Polícia Técnica divulgado no último dia 19 consta que “o projétil extraído do corpo da vítima foi disparado e percorreu o cano de uma carabina Taurus ponto 40 com a numeração UL04120 - a mesma portada pelo sargento Arílson Marques de Araújo” , salientou Sotero.
O crime ocorreu por volta de 23h30, quando a vítima, Ricardo e Marcelo retornavam de uma comemoração promovida por um amigo aprovado num concurso público. Testemunhas contaram à polícia que eles vinham brincando pela Av. Silveira Martins e admitiram ter arremessado algumas pedras contra um ponto de ônibus vazio. De repente, foram surpreendidos por uma viatura com três policiais militares que efetuaram disparos. Edvandro foi baleado e caiu nas dependências do Conjunto Dom Gerônimo, onde morava. Segundo testemunhas, os PMs jogaram o recruta na mala da viatura e foram à procura dos outros dois rapazes. Depois, seguiram em direção ao Hospital Geral Roberto Santos, onde o recruta Edivandro já chegou morto.