Oferta de avaliação da função renal marca o início da Semana do Rim

16/09/2007

A aposentada Maria das Graças Ramos, 55 anos, mantém sob controle a hipertensão arterial e o diabetes, diagnosticados há 25 anos. Mais recentemente, começou a apresentar alguns sintomas de problemas renais, a exemplo de fraqueza e cansaço freqüentes. Acompanhada no Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), unidade da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), Maria das Graças teve a oportunidade de realizar, essa manhã, o exame para dosagem de Cistatina C, que avalia a função renal, e poderá, caso necessário, iniciar o tratamento adequado.


O exame para detecção da doença renal está sendo disponibilizado para pacientes cadastrados e encaminhados pelo Cedeba, até a próxima quinta-feira (8), através de uma parceria entre a Sociedade Brasileira de Nefrologia/Regional Bahia, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e Cedeba, dentro da programação da Semana de Prevenção da Doença Renal, iniciada hoje (5).


Para a endocrinologista Reine Chaves Fonseca, diretora do Cedeba, a iniciativa da SBN/Bahia é de “suma importância, tendo em vista que o diabetes costuma ser uma doença silenciosa, que pode levar ao comprometimento renal”.


Segundo a nefrologista Fátima Gesteira, que assumirá a presidência da SBN/Bahia na próxima quarta-feira (7), o principal objetivo da Semana de Prevenção da Doença Renal é alertar a população para a importância da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento das doenças renais, que acometem em torno de 1 milhão de brasileiros. “É importante frisar que 70% dos portadores de problemas renais desconhecem a condição e deixam de fazer o tratamento necessário”, revela a nefrologista.


A fim de viabilizar a oferta do exame para avaliação da função renal para pacientes cadastrados no Cedeba, uma unidade móvel médico-laboratorial da Apae estará até quinta-feira, das 8 às 12 horas, no estacionamento da unidade. Depois de consulta ambulatorial no centro, os pacientes são encaminhados à unidade móvel, onde é feita a coleta de sangue.


Somente na manhã de hoje, primeiro dia da Semana do Rim, 40 pacientes foram atendidos na unidade móvel, entre eles o aposentado Valdeir Mesquita, portador de diabetes, acompanhado pelo Cedeba há 16 anos. Após ser submetido ao exame, o aposentado fez questão de elogiar a assistência prestada pelo centro, unidade que atualmente tem cerca de 50 mil pacientes casdastrados.


Com o slogan Prevenir é Melhor que Remediar, a Semana de Prevenção da Doença Renal prevê uma série de atividades. Amanhã (6), às 11 horas, no Cedeba, durante reunião de profissionais da unidade com técnicos da atenção básica de Salvador e Região Metropolitana, profissionais da SBN/Bahia terão a oportunidade de divulgar informações sobre as ações de prevenção da doença renal. “A proposta é que os profissionais da rede básica estejam preparados para desenvolver as ações de prevenção e detecção precoce da doença renal”, explica Reine Fonseca.


Ainda dentro da programação da semana, na quarta-feira (7), às 20 horas, no auditório do Hospital Português, o professor Marcus Bastos, da Universidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, considerado referência na prevenção da doença renal, profere palestra sobre o tema Modelo de Programa de Prevenção da Doença Renal, durante a solenidade de posse da nova diretoria da SBN/Bahia.


Sintomas


Pressão alta, inchaço (de pernas, face ou generalizado), anemia/palidez anormal, fraqueza e desânimo constantes, náuseas e vômitos freqüentes pela manhã, sangue na urina, dor lombar/cólica renal e indícios de infecção urinária (dor, ardor ou dificuldade para urinar) são possíveis indícios de doença renal, conforme Fátima Gesteira.


A nefrologista adverte que o aparecimento de doenças renais na população mundial tem sido cada vez mais comum, devido ao envelhecimento da população e a alta prevalência de diabetes e hipertensão na população adulta, “situações que comumente lesam os rins, aumentando a população de pacientes que necessitam de tratamentos de substituição renal – diálise peritoneal ou hemodiálise – para sobreviver”.


Dados da SBN indicam que 60 mil brasileiros fazem diálise no país, mas pelo menos 150 mil deveriam ser submetidos ao tratamento. A cada ano, 25 mil brasileiros iniciam um programa de diálise, enquanto somente três mil são transplantados. “Os gastos com esses doentes são de R$ 1,4 bilhão/ano, o que representa 10% de toda a verba destinada a hospitais, clínicas, médicos e remédios”, conta a nefrologista.