Operação conjunta erradica um milhão de pés de maconha na Bahia e Pernambuco

16/09/2007

Uma ação conjunta das polícias da Bahia e Pernambuco erradicou um milhão de pés de maconha em sete municípios dos dois estados. A operação, denominada Prometeu, teve início no dia 4 deste mês e segue até domingo (17) envolvendo mais de 170 policiais militares, federais e o Corpo de Bombeiros. O objetivo da ação é quebrar o ciclo econômico do tráfico de drogas que tem a maconha como base.


“Ao eliminar as plantações estamos combatendo os delitos relacionados. O lucro da maconha serve de subsídio para outros crimes”, disse o delegado titular da Polícia Federal de Juazeiro, Alexandre Lucena. A erva cultivada na região é vendida para o sudeste do país e serve também como moeda de troca para a aquisição de cocaína e fuzis na Colômbia, geralmente utilizados no assalto a cargas no Nordeste.


Os resultados preliminares da operação foram apresentados, hoje (15), no município de Juazeiro, pelos secretários de Segurança dos dois estados. O delegado Lucena fez questão de traçar o perfil dos plantadores de maconha. De acordo com ele, erradamente têm-se associado a prática à agricultura de subsistência. “Os envolvidos são geralmente traficantes, assaltantes de banco e pessoas que já têm antecedentes criminais. Esse é uma atividade que envolve muito dinheiro e não é praticada por pobres”, frisou. A operação prendeu 11 suspeitos, sendo cinco na Bahia.


A maconha é uma cultura de alta rentabilidade. Enquanto uma saca com 20 quilos de cebola é vendida no Mercado do Produtor de Juazeiro, cidade pólo do agronegócio no Vale do São Francisco, a R$ 16, um quilo da erva in natura é comercializada em Salvador a R$ 100. Em Pernambuco esse valor pode chegar a R$ 300. Uma área média com três mil pés rende R$ 100 mil ao plantador. Três plantas rendem um quilo de erva dessecada.


Na região, conhecida como o Polígono da Maconha, o cultivo acontece há mais de 30 anos. As operações para erradicação acontecem há 20 anos e vêm se intensificando. De acordo com o coronel Wellington Muller, comandante do Grupamento Especializado da PM, somente nos últimos dois anos a redução da área plantada na Bahia foi de cerca de 30%. “Este ano não identificamos muitas áreas replantadas aqui no estado. Em áreas como a da Codevasf, em que havia dezenas de plantações, encontramos somente uma”, afirmou.


A primeira operação deste ano teve como meta erradicar os plantios de maconha localizados nas ilhas do Rio São Francisco e nas fazendas que são beneficiadas pelos projetos sociais de irrigação dos governos estaduais e federal. A base da operação foi montada na cidade de Orocó, às margens do Rio São Francisco, a cerca de 120 quilômetros da cidade de Salgueiro, de onde as equipes se deslocaram por terra e por ar.


O secretário de Segurança Pública da Bahia, Paulo Bezerra, destacou a necessidade de se realizar novas operações ao longo do ano. “A união da Companhia de Ações Especiais da Caatinga com o pessoal do Grupamento Aéreo, aos policiais federais e bombeiros foi o que garantiu o sucesso da operação. Foi uma união de recursos e esforços que deve se repetir”, afirmou.


De acordo com a Polícia Federal, que comandou a operação, a redução das roças facilita a identificação dos plantadores. “Nossa intenção é quebrá-los economicamente”, reiterou superintendente da PF em Pernambuco, Jorge Barbosa Pontes. Ao chegar às plantações, os policiais arrancam as plantas e incineram.


A Superintendência da Polícia Federal de Pernambuco desenvolveu um software especialmente para a identificação de plantações por meio de imageamento térmico. O programa de Sensoriamento Remoto para Detecção de Cannabis Sativa no Nordeste Brasileiro foi criado pela engenheira florestal e perita, Alessandra Lisita. O programa facilitou a identificação da área e a tabulação dos dados.


Após a identificação dos dados pelo imageador, a área foi identificada com o auxílio das aeronaves do Grupamento Aéreo da PM (Graer). “Essa operação foi uma conjunção de esforços. Nesse estágio de organização em que o crime se encontra só é possível combate-lo de forma conjugada”, disse o representante da Coordenação Geral de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, Anísio Soares Vieira.


O nome da operação remete à mitologia grega, na qual o titã Prometeu foi acorrentado a um despenhadeiro do monte Cáucaso e uma águia devorava o seu fígado todos os dias, mas o órgão sempre se regenerava (alusão às roças que, mesmo depois de erradicadas, reaparecem nos mesmos locais).