Crescimento da participação da mulher, aumento da renda dos mais pobres e expansão ininterrupta da ocupação foram importantes transformações sofridas pelo mercado de trabalho da Região Metropolitana de Salvador (RMS) nos últimos dez anos. Já a participação da força de trabalho ficou 2% mais elevada.
Esses são alguns dados que constam da edição especial da revista Bahia Análise & Dados, lançada esta semana pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em comemoração aos 10 anos da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED).
A publicação, que reúne artigos de diversos especialistas, mostra também que diminuiu de maneira significativa a participação de crianças (69,9%) e adolescentes (32,2%) no mercado de trabalho da RMS, bem como de analfabetos (25,7%) e pessoas com ensino fundamental incompleto (10,9%). “Isso caracteriza uma melhora nas condições de inserção no mercado de trabalho da RMS”, destaca Wilson Menezes, diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e um dos coordenadores da PED.
Outro aspecto positivo foi o aumento do emprego formal. Em 1997, ano de implantação da pesquisa, os empregados com carteira assinada eram 29% dos assalariados na RMS. Em 2006, eles representavam 37,8%, um incremento de aproximadamente 138 mil pessoas. Cresceu também o número de terceirizados, que passaram de 4% a 7% dos assalariados. O setor público apresentou decréscimo de 2,7%, mesma tendência dos autônomos.
Ficou constatado que desde 2003, a População em Idade Ativa – PIA (pessoas com 10 anos e mais) vem crescendo mais que a População Economicamente Ativa – PEA (ocupados e desempregados que pressionam o mercado), e assim, observa Menezes, a taxa de participação tende a diminuir e a inatividade cresce proporcionalmente mais que a PEA.
“Nestes 10 anos, há pontos positivos e negativos a serem destacados. Desde 1999, por exemplo, o crescimento do número de pessoas empregadas aumenta sem interrupções. Mas o número de inativos está mais alto. Ou seja, pessoas em condições de atividade podem simplesmente estar deixando de procurar trabalho ou se aposentando mais cedo, o que sugere uma realidade precária”, alerta.
Apesar de a taxa de desemprego ter diminuído, com desempenho muito maior para os homens (8,2%) que para as mulheres (0,7%), os índices se encontram ainda muito elevados. Em abril, por exemplo, voltou a crescer, passando a 23,4% da População Economicamente Ativa (PEA).