Paulo Afonso terá sítios arqueológicos preservados

11/09/2007

O rico patrimônio histórico-cultural e arqueológico da região de Paulo Afonso, composto por rochas, pinturas rupestres e grande diversidade ambiental, vem sendo devastado para a fabricação de paralelepípedos. A denúncia foi feita pelo Centro de Arqueologia e Antropologia de Paulo Afonso (Caapa), da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) naquele município.



De acordo com o estudo feito pelo Caapa, cerca de 40% dos 93 sítios identificados em 2004 já foram destruídos. Para reverter esse processo de devastação, a Uneb e a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) se reuniram para discutir políticas e propor ações conjuntas para a preservação do complexo de sítios rupestres de Malhada Grande, no município de Paulo Afonso.



“O patrimônio arqueológico é a expressão da vida no passado”, disse a coordenadora do Caapa e professora da Uneb, Cleonice Vergne. “A perda dessa expressão material significa a destruição do conhecimento sobre o modo de vida e cultura na pré-história regional”, destacou.



O complexo de pinturas rupestres inclui os povoados de Malhada Grande, Rio do Sal e Lagoa das Pedras. Nessas regiões, a quebra das rochas para fabricação de paralelepípedos é uma das atividades econômicas praticadas pela população local.



Segundo o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Juliano Matos, as ações conjuntas a serem desenvolvidas para a preservação da região devem levar em consideração também a sustentabilidade das famílias, que hoje vivem da quebra de pedras.



“Vamos estudar, junto com os diversos segmentos da sociedade que atuam na região, as melhores alternativas para resolver o problema”, explicou o secretário. Uma das propostas sugeridas é a criação de um museu a céu aberto de arte rupestre.



A primeira ação definida é a implantação, ainda este ano, de uma sede regional de fiscalização do Centro de Recursos Ambientais (CRA) para coibir a destruição ambiental na região de Paulo Afonso.