Plano Nacional de Turismo quer estimular viagens internas

16/09/2007

Lançado hoje (13), em Brasília, o Plano Nacional de Turismo 2007/2010, tem a inclusão social como principal objetivo. Além disso, pretende incluir o lazer turístico na cesta de consumo da família brasileira, para fortalecer o turismo interno e multiplicar as oportunidades de atração das nossas belezas no exterior. A expectativa é que a iniciativa gere 1,7 milhão de novos empregos e o ingresso de US$ 7,7 bilhões em divisas para o país.


“Esse plano vai multiplicar as oportunidades para que milhões de brasileiros e estrangeiros possam ampliar seu olhar para dentro do Brasil. Esperamos que a Bahia possa se integrar totalmente a esse esforço, atraindo novos turistas nacionais e estrangeiros e incluindo os aposentados na cadeia do turismo interno, com acesso a roteiros e pacotes financiados em condições facilitadas”, disse o governador da Bahia, Jaques Wagner, após a solenidade, com a presença do presidente Lula, ministros de Estado, empresários e políticos.


O presidente destacou a presença de Wagner na solenidade e, ao abordar o desenvolvimento do turismo na Bahia, fez uma brincadeira com o governador, reclamando dos novos modelos sintéticos de fitas do Senhor do Bonfim, que são ""que duram muito tempo e, com isso, o desejo demora a ser realizado”. O presidente sugeriu a Wagner estimulasse a confecção de fitinhas de algodão para durar menos e os desejos se realizarem mais rápido.


A ministra do Turismo, Marta Suplicy disse em seu discurso que a meta de crescimento do setor turístico é de 4,9% até 2010, focalizando 65 destinos, inclusive capitais, todas com padrão ""cinco estrelas internacionais"", disse a ministra. ""Nossa prioridade é dar musculatura ao setor, fortalecendo o mercado interno"", ressaltou. O secretário de Turismo da Bahia, Domingos Leonelli, também foi ao evento.


Crédito consignado


O Plano Nacional de Turismo prevê a adoção de crédito consignado a menos de 1% para o turista aposentado, o que pode beneficiar 16 milhões de brasileiros. Já o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vai investir R$ 504 bilhões na expansão da infra-estrutura interna - construção, adequação e duplicação de estradas, além de 2,6 mil quilômetros de ferrovias -, e melhoria de 12 portos e 20 aeroportos.


Em discurso de improviso e bem humorado, o presidente Lula defendeu mais facilidades para que o brasileiro possa viajar mais e conhecer o próprio país. Ele observou, porém, que prefeituras e estados precisam resolver problemas básicos, como saneamento, se quiserem receber turistas. Lula chegou a contar que ele próprio, no passado, recebia ""um bom salário de metalúrgico, mas não tinha incentivo para viagens de turismo com a família"".


O presidente aproveitou para pedir aos empresários do setor ""juros baixos"" para os pacotes de turismo. Lembrou que os empresários ""têm de facilitar"" o desenvolvimento da área, citando o bom momento da economia. ""Tem gente que até tem saudade da inflação, porque ganhava dinheiro com ela"", comentou. E avisou: ""agora, quem quiser ganhar dinheiro, vai ter de trabalhar"".


Segundo Lula, esta ""é a primeira vez que o governo trata de política econômica sem crise"". Para ele, a hora é de planejar o futuro. ""Antes, o paciente estava na UTI, agora podemos discutir política econômica sem sobressaltos"", comentou. E questionou: ""quem imaginava que íamos chegar em junho de 2007 com US$ 140 bilhões de reservas?"". Lula salientou ainda que o governo não precisa mais falar de FMI e de Clube de Paris, ""porque não devemos mais nada a eles"".


Em sua fala, Lula salientou que o turismo já é o quinto principal produto de exportação do país e brincou com os empresários do setor automobilístico, alertando que eles poderão perder o quarto lugar para o turismo. Disse ainda que o setor rendeu R$ 29,6 bilhões em 2006, 29% a mais do que em 2005, mas que ""o país não pode se acomodar com os bons resultados alcançados"". E ressaltou que quer colocar o turismo na cesta básica de consumo.