A Bahia fará parte de um capítulo do relatório sobre o Brasil a ser editado em 2008 pelo Departamento de Relações Exteriores da Austrália. Em visita ao estado, o diretor de Economia Analítica, Christopher Lang, colheu informações sobre o desempenho da economia baiana entre 2003 e 2006 e as perspectivas de crescimento e oportunidades de investimento a curto e médio prazos.
A publicação australiana, dirigida a segmentos ligados ao governo, setor privado, centros de estudos e pesquisas, organizações não-governamentais e universidades, aborda temas específicos e/ou apresenta o potencial econômico de países, revelando novas oportunidades de negócios e parcerias. “O Brasil é um país muito importante do ponto de vista econômico no cenário mundial”, diz Lang.
Há seis anos, conforme cita Lang, o Brasil foi tema de um relatório semelhante, quando se revelou um parceiro potencial da Austrália, despertando o interesse daquele país para uma nova abordagem na qual a Bahia foi incluída. O clima tropical, as atividades na área da pecuária, agricultura e a existência de uma extensa região semi-árida foram apontados por Christopher Lang como principais semelhanças entre os dois países.
Em reunião, segunda-feira (28), no gabinete da Secretaria do Planejamento, onde foi recebido pelo secretário Ronald Lobato, Christopher Lang também manteve contato com representantes da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), do Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo/SICM), Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Superintendência de Estudos Econômicos e Socais da Bahia (SEI/Seplan) e Universidade Federal da Bahia (UFBa).
Integrador continental
O secretário Ronald Lobato fez questão de frisar a intenção do Governo do Estado em resgatar a Bahia como território que integra o Brasil ao continente sul-americano e ao resto do mundo, ação que será viabilizada por investimentos como a construção da ferrovia leste-oeste, que vai ligar o leste da Bahia ao oeste do Brasil, na fronteira com o Peru. “Estamos avaliando alternativas de traçado, mas temos certeza que a ferrovia vai ser de extrema importância na dinamização da economia baiana”, comenta. Ele destacou ainda que o investimento vai permitir o escoamento da produção de ferro, com ocorrência importante nos municípios de Boquira, Macaúbas, Botuporã, Tanque Novo e Ibipitanga.
Outras ações estruturantes projetadas para os próximos anos e que são consideradas fundamentais ao desenvolvimento econômico do estado com eqüidade, equilíbrio social e étnico, foram apresentadas ao representante australiano. Entre as intervenções destacam-se a construção dos acessos ferroviários a Salvador e Camaçari/Aratu, a recuperação da ferrovia Aratu/Juazeiro e da ponte ferroviária Cachoeira/São Félix, com obras já em andamento, e a plataforma intermodal no porto de Juazeiro, que inclui a revitalização da hidrovia do São Francisco.
PAC
A reunião com o representante do governo australiano Christopher Lang contou com uma explanação realizada pela SEI sobre o desempenho econômico da Bahia e as intervenções previstas no estado a partir do Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal, que pretende investir R$ 503,9 bilhões no país entre 2007 e 2010.
Os investimentos do PAC dividem-se em cinco vertentes: infra-estrutura, estímulo ao crédito e financiamento, melhoria do ambiente de investimento, desoneração e aperfeiçoamento do sistema tributário e medidas fiscais de longo prazo, que trata do comportamento do gasto público nos próximos anos.
As intervenções prioritárias do PAC concentram-se na área de infra-estrutura, com aplicações em energia, logística e nas áreas social e urbana. “Vale lembrar que muitas oportunidades de investimento na Bahia não estão dispostas no PAC”, disse o secretário Ronald Lobato a Christopher Lang, citando a recuperação da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), ligando Juazeiro ao Porto de Aratu. “Estamos abertos às parcerias público-privadas (PPP) e a concessões, a partir de oportunidades oferecidas em todo o estado, com prioridade para a agricultura familiar”, completa Lobato.
Sobre o semi-árido baiano, o secretário diz: “Temos uma extensa região semi-árida muito pobre, onde queremos desenvolver ambiciosas ações na área de logística, para viabilizar também projetos menores como a criação de cabra, produção de mel, sisal, biodiesel e aqüicultura, viabilizando os arranjos produtivos locais (APLs).
A expectativa de crescimento do PIB acima da média nacional entre 2007 e 2010 também mereceu destaque durante a reunião com o representante da Austrália. Para os próximos quatro anos, a média de crescimento nacional deverá ficar em torno de 4,9%, enquanto as projeções para a Bahia dão conta de um crescimento médio em torno de 6%.