Representantes de 12 povos indígenas vão elaborar um documento para compor o programa de educação do governo Bahia Terra de Todos Nós. O material será redigido durante o Fórum Estadual de Educação Indígena, que acontece amanhã (29) e quarta-feira, no Instituto Anísio Teixeira (IAT). Esta será a primeira vez que os povos indígenas participam da concepção de uma política de governo para a educação.
O fórum vai reunir representantes de seis secretarias de governo, Ongs, de 11 Diretorias Regionais de Educação (Direc) e de 18 municípios que abrigam povos indígenas. A Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB) defende que a educação indígena deve ser diferenciada e específica. Ao todo, existem na Bahia 57 escolas indígenas que atendem a 6.127 alunos de 99 aldeias e 12 diferentes povos.
A produção de conhecimento dentro da aldeia também deve ter o mesmo valor que o conhecimento historicamente construído pela humanidade. “Não se pode supervalorizar o conhecimento formal, o considerando maior ou melhor que o produzido pelos povos indígenas”, avalia a coordenadora de Educação Indígena da SEC, Suzana Martins.
Uma das conquistas nesse aspecto tem sido a criação de livros didáticos pelos próprios professores indígenas. Um deles, a cartilha de alfabetização do povo Tuxá de Ibotirama, será lançado durante o evento. O fórum foi criado no final da década de 90, com o objetivo de realizar discussões periódicas sobre as políticas públicas para a educação indígena e fazer o acompanhamento e controle social dessas políticas. Durante todo esse período a SEC vem atuando como parceira através de contribuições conceituais, acadêmica e financeira.