ProAr ajuda a reduzir índice de internamento e óbitos de pacientes portadores de asma

16/09/2007

Terceira causa de internação hospitalar no país, com gastos superiores ao da tuberculose e da Aids, a asma é responsável por cerca de 2.500 óbitos por ano no Brasil. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam que a cada ano mais de 367 mil brasileiros dão entrada nos hospitais vitimados pela doença. Para tentar melhorar este quadro, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia instituiu, o 21 de junho como o Dia Nacional de Combate à Asma.


Na Bahia, o Hospital Especializado Octávio Mangabeira (Heom) abriga o ProAr, programa de assistência e pesquisa aos pacientes com asma grave e rinite alérgica, em ambulatórios de referência com fornecimento gratuito de medicações preventivas.


O sucesso vem sendo reconhecido pelo Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretários de Saúde e Organização Mundial de Saúde. Além do Octávio Mangabeira, o Centro de Saúde Carlos Gomes e o Hospital Santa Isabel abrigam ambulatórios de referência do ProAr.


A médica pneumologista Rosana Franco, coordenadora do ProAr no Heom, explica que em Salvador foi possível observar um declínio de 50% de hospitalizações por asma no SUS, a partir de 2005, logo após a consolidação do programa na cidade.


“O número de pacientes com asma grave, atendido nos três centros de referência, já ultrapassou 2.200. Neles, os doentes são assistidos por equipe multidisciplinar e recebem gratuitamente medicações inalatórias eficazes para o controle da asma”, disse Rosana Franco.


No Hospital Octávio Mangabeira, unidade da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), o ProAr conta com uma equipe profissional multidisciplinar que presta atendimento aos pacientes com asma grave, crianças e adultos. Além das medicações, são proporcionadas sessões mensais de educação em asma para os pacientes e familiares.


“Temos atualmente mais de 800 pacientes em acompanhamento no HEOM. Para ser atendido pelo programa, é necessário que o doente seja portador de asma grave, seja avaliado por um médico da equipe que confirme o diagnóstico, traga os exames e a documentação necessária para ser incluído no tratamento”, disse a médica.


Os pacientes acompanhados no ProAr, que tinham sintomas quase diários que os impedia de trabalhar e os levavam freqüentemente aos hospitais, conseguiram melhorar a qualidade de vida, bem como reduzir os sintomas, internamentos e as visitas de emergência em 90%.


Em sua tese de doutorado, Rosana Franco realizou um estudo econômico do impacto do ProAr. Nele foi revelado um aumento de 10% na renda familiar e redução do custo familiar com o tratamento em 86,3%, gerando um incremento de disponibilidade financeira anual média de R$ 2.956,79 por família, quase 50% da renda familiar prévia. Além disto, foi registrada uma economia anual para o SUS de R$ 836 por cada paciente acompanhado.


ProAr na Bahia


O Programa para o Controle da Asma e da Rinite Alérgica na Bahia é um projeto de equipe da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Em 2002, o programa iniciou sua atuação no Ambulatório Magalhães Netto, do Hospital Universitário Professor Edgard Santos.


Em 2003, foi viabilizado com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesb) e ampliado em função de convênio entre as secretarias municipal e estadual de Saúde e Ministério da Saúde. O ProAr tem a coordenação geral do professor Álvaro Cruz, da Ufba, e equipe de coordenação formada pelos médicos Adelmir Machado, Eduardo Ponte, Carolina Machado, Ana Tereza Campos e Rosana Franco.


O programa oferece inovações tecnológicas simples, recomendadas internacionalmente, que são exeqüíveis e de baixo custo, para beneficiar centenas de pacientes do SUS, melhorando a qualidade de vida e a capacidade de trabalhar, ao tempo em que a eficiência das ações de saúde resulta em considerável economia para o SUS.


O presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia/Bahia, Antônio Carlos Lemos, que também é médico do HEOM, explica que a mobilização do 21 de junho – Dia Nacional de Combate à Asma, tem o objetivo de conscientizar a sociedade civil sobre a gravidade da asma, uma doença que não tem cura, mas que pode ser controlada em 95% dos casos.


“Pela falta de diagnóstico mais preciso ou de tratamento adequado, registramos uma média diária, no Brasil, superior a seis óbitos. Por outro lado, o Brasil é o oitavo país no mundo em prevalência de asma”, disse. Ainda segundo o pneumologista, o percentual de brasileiros que têm ou já tiveram alguma manifestação da doença pode chegar a 20% da população. Desse total, 25% apresentam a forma moderada ou grave, o que pode levar à morte se não diagnosticada e tratada corretamente.


Com a chegada do inverno, aumenta o número de casos registrados. Nessa época, é comum clínicas e emergências dos hospitais ficarem lotadas de pacientes com problemas respiratórios. Esse movimento é decorrente de temperaturas mais baixas que fazem com que as pessoas permaneçam em ambientes fechados, sem ventilação adequada, em locais onde a concentração de ácaros, poeira, mofo e outras substâncias alérgenas é maior, o que desencadeia crises de asma e outras alergias respiratórias.


A asma geralmente apresenta os primeiros sintomas ainda na infância. Por ser crônica, não tem cura, mas o tratamento realizado de maneira preventiva e prolongada permite que os pacientes levem uma vida normal. Cerca de 70% dos casos tendem a desaparecer ainda na adolescência.


É uma doença pulmonar caracterizada pela inflamação crônica das vias aéreas, que se estreitam e oferecem dificuldade respiratória. Os principais sintomas da asma são: tosse, chiado no peito e falta de ar, que aparecem de forma cíclica, com alternância de período de melhora e piora.