Programa Água Doce será retomado no semi-árido baiano

16/09/2007

O núcleo estadual do Programa Água Doce, da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, está sendo formado pela primeira vez na Bahia para reativar o programa no Estado e definir as ações que o grupo executivo, que já está sendo reestruturado na atual gestão do governo estadual, irá realizar. Quem vai assumir a coordenação estadual é a engenheira florestal Anapaula Souza Dias, coordenadora técnica da Divisão de Desenvolvimento Sustentável da Superintendência de Recursos Hídricos (SRH).


“O objetivo do programa é levar água potável às dez comunidades mais carentes do semi-árido baiano que não têm acesso a nenhuma água de boa qualidade, além de tirar a população da dependência dos carros-pipa”, explicou o diretor de ação regional da SRH, Leib Carteado, acrescentando que como exigência do MMA, o gestor do programa em cada estado passa a ser o órgão de recursos hídricos, que na Bahia é a SRH.


Na semana passada, representantes do Programa Água Doce do governo federal fizeram uma apresentação geral do programa. Participaram membros da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Centro de Recursos Ambientais (CRA), Companhia de Engenharia Rural da Bahia (Cerb), Bahiapesca, Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), Cáritas, União dos Municípios da Bahia (UPB), núcleo de meio ambiente da Universidade Estadual da Bahia (Numa/Uneb), Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco e Comitê da Bacia Hidrográfica do Salitre. Cada órgão indicou uma pessoa para compor o grupo executivo, que irá retomar os trabalhos.


Procedimentos


No encontro, ficou definida a recuperação de dez dessalinizadores (equipamento que transforma a água salina e salobra oriunda de poços profundos em água potável), que já estão instalados em regiões do semi-árido, além de serem implantadas duas unidades demonstrativas de um novo modelo de gestão em locais ainda a serem definidos no semi-árido.


As unidades demonstrativas são equipamentos que permitem o aproveitamento do concentrado de sais retirado da água salina ou salobra em tanques de criação de tilápias e como matéria orgânica para irrigar atriplex (planta que absorve sal) para a produção de feno que alimentará ovinos e caprinos. Desta forma, além de ser uma saída ambiental para o rejeito do dessalinizador, permitirá também alimento e uma fonte de renda para as comunidades carentes. A renda contribuirá também para a manutenção dos equipamentos


Pela primeira vez, as comunidades beneficiadas irão participar da gestão dos dessalinizadores, já que serão as famílias que irão decidir a forma de funcionamento do equipamento, além de serem capacitadas a operá-lo. Serão feitas várias reuniões de mobilização social nas comunidades para que sejam estabelecidos acordos entre a coordenação do programa e as prefeituras. As comunidades irão gerir o processo, fazer pequenos reparos, arrecadar recursos para a contratação de um técnico para dar manutenção, definir o volume de água, o prazo e os beneficiários do abastecimento.


Em uma próxima etapa, o programa nacional visa implantar 1.500 dessalinizadores em todo o semi-árido nordestino. Os coordenadores da Agência Nacional de Águas (ANA) se reúnem na próxima terça-feira em Salvador para dar prosseguimento às ações do programa no Estado.