Cerca de 302 profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e odontólogos) dos municípios de Salvador, Lauro de Freitas, Juazeiro e Amélia Rodrigues, que trabalham no Programa Saúde da Família, foram capacitados para atuar no Programa de Prevenção do Câncer de Pele na Bahia.
De acordo com Ângela Mutti, dermatologista do Cican, foram atendidas 109 unidades básicas de Saúde da Família. “Esse trabalho de capacitação tem por finalidade a criação da rede de Oncodermatologia da Bahia, que vai atuar com dermatologistas cirurgiões. “Para a estruturação da rede foi feito um estudo para identificar as unidades de saúde que disponibilizavam atendimento dermatológico”, explica Mutti.
O processo, iniciado em agosto do ano passado, foi fruto de convênio entre a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), através do Centro Estadual de Oncologia (Cican), em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia e secretarias municipais de Saúde.
Aumento do número de casos
O Cican alerta para o crescimento do número de casos de câncer de pele e informa à população que, para detectar precocemente essa doença realiza, gratuitamente, o exame de dermatoscopia, técnica utilizada no país há mais de dez anos para diagnosticar lesões de pele, incluindo lesões benignas, carcinomas e o melanoma cutâneo.
Ângela Mutti está toda sexta-feira, durante todo o dia, atendendo às pessoas referenciadas para o Cican. “Os pacientes dão entrada no centro e passam inicialmente por uma triagem, para em seguida serem encaminhados para atendimento com o especialista. Muitas pessoas acreditam que, como não vão à praia, estão livres de ter um câncer de pele. Elas esquecem que jogam futebol, andam nas ruas, ficando expostas aos raios solares e não usam nenhum tipo de proteção”, esclarece.
“As pessoas de pele clara são as maiores vítimas, mas no grupo de risco estão também os indivíduos morenos e até mesmo os negros não estão livres da doença. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para que o tratamento seja vitorioso”, afirma a médica acrescentando que a proteção solar é, portanto, a principal forma de prevenção da doença.
Câncer de pele
Câncer de pele é o crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. Estas células se dispõem formando camadas e, dependendo da camada afetada, aparecem diferentes tipos de câncer. Os mais comuns são os carcinomas basocelulares e os espinocelulares; o mais perigoso é o melanoma. A radiação ultravioleta é a principal responsável pelo desenvolvimento do câncer e o envelhecimento da pele. Ela se concentra nas cabines de bronzeamento artificial e nos raios solares.
A letalidade do câncer de pele do tipo melanoma é elevada, porém sua incidência é baixa. Para 2006, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) previu, no Brasil, cerca de 2.710 casos novos em homens e 3.050 casos novos em mulheres. As maiores taxas estimadas em homens e mulheres encontram-se na região Sul.
Os fatores de risco, em ordem de importância, são a sensibilidade ao sol (queimadura pelo sol e não bronzeamento), pele clara, exposição excessiva ao sol, casos na família de câncer de pele, nevo congênito (pinta escura), maturidade (após 15 anos de idade a propensão para este tipo de câncer aumenta), xeroderma pigmentoso (doença congênita que se caracteriza pela intolerância total da pele ao sol, com queimaduras externas, lesões crônicas e tumores múltiplos) e nevo displásico (lesões escuras da pele com alterações celulares pré-cancerosas).
Como os outros tipos de câncer de pele, o melanoma pode ser prevenido evitando-se a exposição ao sol no horário das 10 às 16 horas, quando os raios são mais intensos. Mesmo durante o período adequado, é necessária a utilização de proteção como chapéu, guarda-sol, óculos escuros e filtros solares.