A formação de uma rede de cidades e o fortalecimento e integração dos 26 territórios de identidade baianos foram citados ontem (29), no encerramento da primeira etapa da Rodada de Temas Estratégicos - Economia, Espaços Sócio-Territoriais e Políticas Públicas na Bahia, como requisitos indispensáveis ao desenvolvimento sustentável e democrático do estado. Durante o evento, realizado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI), autarquia da Secretaria de Planejamento (Seplan), foram expostas algumas estratégias para transformar esse discurso em prática.
“A discussão acerca da rede de cidades permite visualizar, partindo da questão espacial, os temas relevantes para o desenvolvimento discutidos nesses encontros”, disse o diretor-geral da SEI, Geraldo Reis. A espacialidade é o pano de fundo de onde devem partir as decisões sobre a formação de cadeias logísticas que articulem pequenos, médios e grandes empreendimentos, favoreçam a agricultura familiar, a integração dos centros urbanos entre si e com as áreas rurais, as cadeias de municípios com funções complementares, a integração da Bahia com outros estados e com o mercado global.
“Estamos debatendo saídas que compatibilizem a inserção competitiva do Estado na economia nacional e internacional sem perder de vista o objetivo do Governo de reduzir as desigualdades. Queremos dar destaque aos pontos de convergência entre democratização e crescimento”, acrescentou Reis.
Uma das ações já iniciada pelo governo visando a mobilidade urbana das regiões foi a implementação da nova linha do Trem Regional, que cobre a Megarregião Metropolitana de Salvador, que inclui, além da capital, Simões Filho, Camaçari, Dias D´Ávila, Mata de São João, Pojuca, Catu e Alagoinhas. A ação faz parte da Política de Desenvolvimento Urbano da Bahia, apresentada pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur).
Segundo o diretor regional da Superintendência de Planejamento Estratégico (SPE/ Seplan), Benito Juncal “quase metade das cidades baianas são apenas sedes de municípios, sem oferta de serviços, comércio e infra-estrutura, não se configuram como espaços urbanos,” alertou. Essa realidade foi considerada na escolha dos territórios de identidade como parâmetro para as ações: “Dos 26 territórios, apenas dois não têm cidades estratégicas. Além disso, apenas os territórios do oeste e os do litoral não são tocados pelo semi-árido, área prioritária do plano estratégico do governo”, explicou.
O semi-árido, no centro do mapa e a maior área do estado, aparece como a zona de menor densidade populacional e a mais estagnada. A integração das regiões deprimidas economicamente está entre os objetivos do Plano de Desenvolvimento Territorial apresentado por Juncal, que prevê também a ordenação dos territórios e a desconcentração espacial dos investimentos.
Esta primeira etapa do evento contou com a participação da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), das secretarias da Indústria Comércio e Mineração(Sicm), de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e Casa Civil, As rodadas continuam em abril envolvendo as demais setoriais.